SEUL, 27 Mai (Reuters) - Os trabalhadores sindicalizados da Samsung Electronics aprovaram um polêmico acordo sobre o pagamento de bônus que evita uma greve em grande escala, mas também agrava as profundas disparidades de renda entre os funcionários do conglomerado de tecnologia.
Dois sindicatos da maior fabricante de chips de memória do mundo disseram nesta quarta-feira que 74% dos 62.616 trabalhadores que votaram apoiaram o acordo.
O acordo mediado pelo governo, alcançado após uma acirrada disputa de cinco meses, provocou tanto um grande alívio quanto preocupação em toda a Coreia do Sul.
Por um lado, a Samsung é responsável por cerca de um quarto das exportações do país e, caso o acordo não tivesse sido ratificado, uma greve de 18 dias envolvendo 48 mil trabalhadores teria sido iniciada, prejudicando a economia e afetando o abastecimento global de chips.
NORMAS COMERCIAIS ELIMINADAS PARA APAZIGUAR OS TRABALHADORES DO SETOR DE CHIPS
Ao mesmo tempo, porém, esse acordo representa apenas a segunda vez que uma grande empresa sul-coreana se compromete por escrito a recompensar alguns funcionários com uma porcentagem fixa do lucro operacional — contrariando a prática habitual, que exige que os bônus sejam calculados após o pagamento dos impostos corporativos.
No caso da Samsung, 10,5% do seu lucro operacional de semicondutores será destinado a bônus especiais para os funcionários que trabalham com chips.
Isso despertou a preocupação do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, de grupos empresariais e acadêmicos. A principal preocupação é que alguns sindicatos que estão fazendo exigências semelhantes endurecerão suas posições e outros poderão seguir o exemplo.
Um grupo de acionistas, composto por acionistas individuais, também ameaçou entrar com uma ação judicial. Entre seus argumentos, eles alegam que tal acordo é ilegal, pois não foi aprovado em assembleia geral de acionistas.
“O acordo reduz o montante disponível para distribuição aos acionistas e ‘pode suscitar um escrutínio jurídico nos termos da lei comercial no que diz respeito ao dever fiduciário para com os acionistas’”, afirmou Seo Ji-yong, professor de administração de empresas da Universidade Sangmyung.
UM VERÃO DE DESCONTENTAMENTO ESTÁ POR VIR
Espera-se que a administração da Samsung tenha muito trabalho para lidar com o descontentamento que o acordo semeou.
"Encontrar maneiras de superar as divisões internas de trabalho será a maior tarefa da Samsung", disse o professor de direito da Universidade da Coreia, Park Ji-soon.
Fechado sob forte pressão para diminuir a diferença em relação aos bônus astronômicos da fabricante rival de chips SK Hynix, o acordo beneficia principalmente os funcionários da divisão de chips de memória da empresa, cujos lucros dispararam devido aos colossais investimentos em IA em todo o mundo. Alguns desses funcionários devem receber bônus de cerca de US$416.000 este ano.
Os trabalhadores das outras unidades de chips da Samsung receberão um bônus menor, mas ainda assim substancial, enquanto os funcionários das divisões de eletrônicos de consumo receberão muito pouco em comparação.
Também não se sabe se um tribunal concederá ao sindicato da Samsung, que representa os trabalhadores do setor de eletrônicos de consumo, seu pedido para bloquear a votação. Eles foram excluídos da votação depois que seu sindicato deixou a equipe de negociação devido a desentendimentos.
Isso possivelmente levaria a uma nova votação, embora o acordo pareça ter muito mais apoiadores do que detratores.
As ações da Samsung fecharam com alta de 3% e acumularam um aumento de 11% desde que o acordo salarial foi fechado na semana passada. Esse desempenho, no entanto, ainda fica aquém do ganho impressionante de 29% registrado no mesmo período pela SK Hynix, que, beneficiando-se do entusiasmo dos investidores em torno da IA, juntou-se à Samsung e à Micron na quarta-feira, atingindo um valor de mercado superior a US$1 trilhão.
(Reportagem de Hyunjoo Jin e Heejin Kim)



Aviso