BERLIM - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a Alemanha nesta terça-feira pelo superávit comercial e o nível de gastos militares, um dia após a chanceler alemã, Angela Merkel, ter levantado dúvidas sobre a confiabilidade dos Estados Unidos como aliado.
"Temos um enorme déficit comercial com a Alemanha, e eles ainda pagam bem menos do que deveriam à Otan e militares. Muito ruim para os EUA. Isso irá mudar", escreveu Trump em mensagem no Twitter.
A chanceler alemã afirmou nesta terça-feira que considera "muito importante" que a Europa se transforme em um "ator ativo" em questões internacionais na era Donald Trump, ao mesmo tempo que considera "primordial" a relação transatlântica. O posicionamento vem dois dias após ela expressar que tem , abordando as frustrações da Europa com Trump após duas cúpulas na semana passada. Ela sustentou, por outro lado, que é uma "transatlanticista convicta".
— Os laços transatlânticos são de uma importância primordial para nós... mas na atual situação há ainda mais razões para tomarmos o destino em nossas mãos — disse Merkel nesta terça-feira em uma entrevista coletiva em que recebia o premier indiano, Narendra Modi. — A Europa deve ser um ator que também atua no exterior, considero isso extremamente importante.
Segundo ela é necessário para os europeus ter uma "política externa comum", para, por exemplo, pressionar para "resolver o conflito na Líbia".
— Em algumas questões, não somos tão bons quanto deveríamos ser, a questão da política migratória, em particular — disse a chanceler.
Merkel, assim como outros líderes europeus, enfatizou a necessidade de a UE se afirmar no cenário internacional para melhor defender os seus interesses. Mas até o momento, a implementação de uma ação diplomática europeia chocou-se com as prerrogativas dos Estados-Membros neste domínio e sua relutância em abandonar certa soberania neste reino real.
Nos últimos dias, Berlim voltou a insistir nesse objetivo, ao mesmo tempo que elevou a voz contra Donald Trump, principalmente em razão de sua recusa em dizer se manteria os Estados Unidos no Acordo de Paris sobre o clima.
Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel, foi muito franco ao falar a respeito do presidente americano, acusando-o de .
O presidente dos Estados Unidos, antes e depois de sua eleição, também não se privou de atacar a Alemanha. Fiel ao seu discurso anti-livre-comércio, adotou um tom muito duro a respeito dos excedentes comerciais alemães, ameaçando introduzir tarifas em retaliação.

