Por Bo Erickson
WASHINGTON, 16 Mar (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu seu conselho de curadores escolhidos a dedo do John F. Kennedy Center nesta segunda-feira para uma reunião que oscilou entre a guerra com o Irã e seus planos de reformular o marco cultural de Washington.
Trump reconheceu que a reunião na Casa Branca, com a presença de altos funcionários do governo e líderes empresariais ricos, foi em grande parte uma formalidade para aprovar seus planos de renovação para o centro. Mas o evento também jogou luz sobre como o presidente está conciliando um conflito no exterior, agora em sua terceira semana, com um ambicioso portfólio de projetos de construção em toda a capital.
"O que eu faço de melhor na vida é construir", disse Trump durante a parte pública da reunião, que durou uma hora, na qual ele classificou o Irã como um "tigre de papel" e protestou contra o "desastre" do centro de artes cênicas de Washington.
No final, ele já misturava expressões militares e artísticas.
"É preciso dois para dançar o tango", disse Trump quando perguntado por que uma importante rota de navegação perto do Irã não havia sido reaberta se as forças dos EUA haviam liberado os navios iranianos que instalavam minas.
PLANOS DE RENOVAÇÃO
Trump, um incorporador imobiliário de Nova York, defendeu seus planos de fechar o Kennedy Center para dois anos de reforma, começando após o Dia da Independência, em 4 de julho, dizendo que é necessário concluir a reforma rapidamente.
"Quando você faz mármore, não pode ter pessoas andando sobre o mármore todas as noites, enquanto ele está secando e endurecendo, e indo assistir a uma peça", disse ele.
A extensão das mudanças previstas ainda não está clara. Nesta segunda-feira, Trump criticou as vigas de aço da frente do centro e os teatros internos, e já havia dito anteriormente que o carpete, as paredes, os lustres, os palcos e a ventilação seriam atualizados.
Depois de se interessar pouco pelo centro que o Congresso dedicou como um memorial vivo a Kennedy após seu assassinato em 1963, Trump lançou uma reformulação logo após retornar ao poder. Em dezembro passado, seu conselho aprovou a mudança do nome do edifício para Trump-Kennedy Center.
Muitos grupos e artistas desistiram de suas apresentações, citando a aquisição pelo republicano como motivo, e a diretora-executiva da Orquestra Sinfônica Nacional recentemente deixou o cargo.
Alguns democratas que ocupam cargos sem direito a voto na diretoria, incluindo a deputada Joyce Beatty, contestaram os planos do presidente. Na semana passada, um juiz federal ordenou que o governo permita que a parlamentar participasse da reunião desta segunda-feira e tivesse acesso aos planos de renovação.
"Nenhum presidente tem autoridade para excluir o Congresso da governança do Kennedy Center, muito menos para renomeá-lo ou demoli-lo unilateralmente", disse Beatty em um comunicado após a ordem judicial.
(Reportagem de Bo Erickson)

