A União Europeia (UE) e a Ucrânia assinaram nesta quarta-feira, 15, um acordo para avançar na produção conjunta de armas, incluindo drones e mísseis antibalísticos. A parceria foi anunciada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, durante as cerimônias que marcaram o Dia da Estatalidade da Ucrânia, celebrado nesta quarta-feira.
A iniciativa reflete as preocupações europeias com as intenções mais amplas da Rússia no continente. "Hoje, a luta da Ucrânia não é apenas uma luta pela própria liberdade. É uma luta existencial pelas liberdades da Europa, por seus valores e por sua autodeterminação", disse Von der Leyen em um discurso na Praça de São Miguel, em Kiev, onde recebeu a Ordem da Europa, uma honraria concedida pelo Estado ucraniano.
"Vocês não estão lutando apenas pelo próprio futuro, mas pela segurança de todo o nosso continente", afirmou. Ao longo da guerra contra a Rússia, que já dura quatro anos, a Ucrânia passou de um país que dependia de apoio militar estrangeiro para uma nação que oferece à Europa, aos Estados Unidos e a países do Oriente Médio seu conhecimento em armas de ponta, testado no campo de batalha.
No entanto, Kiev ainda precisa de ajuda para ampliar a produção doméstica, especialmente de sistemas sofisticados de defesa aérea capazes de interceptar mísseis balísticos russos.
A carta de intenções assinada pela UE e pela Ucrânia prevê o estabelecimento de uma produção conjunta de drones e sistemas antidrones até o fim deste ano, além da fabricação conjunta de mísseis antibalísticos até 2028, bem como um apoio mais amplo à indústria de defesa. A Ucrânia busca fortalecer sua segurança ao ingressar na UE. O país já iniciou esse processo, que pode levar anos para ser concluído.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na semana passada que Washington concederá à Ucrânia uma licença para produzir seus próprios sistemas de defesa aérea Patriot, essenciais para combater mísseis balísticos. Zelenski afirmou nesta quarta-feira que espera que a Ucrânia tenha capacidade técnica para produzir os sofisticados mísseis até o fim do ano, embora especialistas avaliem que o processo possa levar anos.
'A maré está virando'
]
Von der Leyen afirmou que essa é a 11ª vez que visita a Ucrânia desde o início da guerra. A UE já forneceu bilhões de euros a Kiev, além de apoio diplomático. Ela prometeu ajuda da UE na preparação das defesas aéreas da Ucrânia para os meses mais frios. Esse é o período em que a Rússia, frequentemente utilizando mísseis balísticos, costuma tentar destruir serviços essenciais, como eletricidade e aquecimento, em uma estratégia que autoridades de Kiev chamam de "transformar o inverno em uma arma".
"A energia continua sendo uma prioridade inabalável", disse Zelenski. Autoridades e analistas ocidentais afirmam que os ataques ucranianos com drones e mísseis estão atingindo alvos de alto perfil no interior da Rússia, interrompendo gravemente as linhas de abastecimento de Moscou e provocando escassez de combustível entre civis.
"É um momento especial", escreveu Von der Leyen em publicação nas redes sociais. 'A Ucrânia construiu um forte impulso militar. A maré está virando."
*Com informações da Associated Press (AP).



Aviso