Por Kylie Madry
10 Jul (Reuters) - Os agricultores argentinos estão vendendo uma quantidade excepcionalmente baixa de sua nova safra de trigo, mesmo com o plantio avançando rapidamente, informou a Bolsa de Grãos de Rosário em um relatório divulgado nesta sexta-feira, apontando para preços a termo mais baixos e uma preocupação crescente com a oferta futura.
Os agricultores já plantaram 82% da área prevista pelo governo para a safra de trigo 2026/27, com os trabalhos no campo se recuperando após atrasos causados por chuvas no início da temporada. No entanto, as vendas da nova safra atingiram apenas 2 milhões de toneladas até o momento, um dos inícios mais fracos da última década.
A bolsa informou que o volume contratado representa apenas 10,5% da produção prevista, abaixo da média de cinco anos de 16,6% para esta fase. Do trigo já vendido, 690 mil toneladas ainda não têm preço fixado.
Os preços do trigo a ser entregue após a colheita caíram acentuadamente. O contrato de dezembro caiu de cerca de US$231 por tonelada no final de abril e meados de maio para cerca de US$206 por tonelada no início de julho, levando os agricultores a desacelerar as vendas em vez de fechar negócios a preços mais baixos.
A Argentina pode acabar com estoques maiores de trigo se as exportações não continuarem fluindo. A bolsa estimou os estoques finais de 2025/26 em cerca de 4,5 milhões de toneladas, o maior nível desde 2014/15, mesmo com a demanda interna estimada em 9,2 milhões de toneladas e as exportações em um recorde de 19 milhões de toneladas.
A Argentina também enfrenta uma concorrência mais acirrada no exterior. Seu preço de exportação do trigo está agora em cerca de US$227 por tonelada, próximo ao de fornecedores rivais, enquanto as grandes safras do Hemisfério Norte estão pressionando os preços globais.
Os agricultores também estão adiando a venda de sua soja, apesar dos preços mais firmes. Apenas 42% da produção esperada para a safra foi comprometida, segundo o relatório, com apenas 27% a preço fixo — o menor nível em três décadas.
O relatório mostrou, no entanto, alguma melhora nas vendas de milho. As vendas semanais de milho subiram para cerca de 800 mil toneladas, o maior volume desde o final de maio, à medida que o milho plantado tardiamente chega ao mercado. Os preços do milho continuam fracos, porém, próximos a US$180 por tonelada, pressionados pela oferta abundante tanto na Argentina quanto no Brasil.
(Reportagem de Kylie Madry)



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