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Venezuela: ‘Governo aperfeiçoou mecanismos de abuso’, diz governador opositor que não assumiu

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BUENOS AIRES — Eleito governador do estado venezuelano de Zulia, Juan Pablo Guanipa não chegou a ocupar o posto por nem mesmo um dia. Ele se negou a se juramentar na questionada Assembleia Constituinte formada pelo governo chavista, ao contrário dos outros quatro opositores que ganharam nas eleições regionais deste mês. Chama a aliança opositora a trabalhar em união para enfrentar o governo do presidente Nicolás Maduro, a quem acusa de ter fraudado a votação e reforçar os seus mecanismos de abuso.

A oposição acusa o chavismo de fraude generalizada. Por que venceu em cinco dos 23 estados?

Porque a diferença era muito grande. Eles tentaram ganhar em todos os estados. Em Zulia, quatro pesquisas nos davam entre 20 e 40 pontos percentuais de pontos a nosso favor, uma vantagem grande. Mas terminamos ganhando por apenas quatro pontos. Foram cortando e cortando votos. Estavam num processo de controle de vários centros de votação. Colocavam votos fraudulentos e não deixavam entrar as nossas pessoas.

Isso aconteceu em outros estados?

Acredito que sim. Em cinco estados (Mérida, Táchira, Anzoátegui, Nueva Esparta e Zulia), nossos candidatos tinham uma diferença muito superior. Nos demais, também havia diferença. Em qualquer sistema democrático normal, isso funciona bem. Mas é preciso arrasar com este governo para ganhar por três ou quatro pontos.

O que fará agora, sem assumir?

Eu continuo a lutar, primeiro a partir da perspectiva de esgotar o caminho legal, com apelos perante os diferentes tribunais. Obviamente, nenhum deles terá um resultado a meu favor, porque são totalmente controlados pelo governo. Mas também temos que exercer o direito de protestar.

E o que deve fazer a oposição, tão fragmentada?

A Mesa de Unidade Democrática (MUD) mostrou suas costuras. Acredito que seja lógico que haja diferenças, porque somos democráticos. Mas hoje o país precisa de nós mais sólidos e unidos. A MUD tem que fazer uma revisão, reorganizar-se, estabelecer mecanismos de tomada de decisões e relançar-se ao futuro.

Por que seus quatro colegas aceitaram juramentar-se e o senhor não?

Com todo o respeito, acho que tomaram uma decisão equivocada. Têm o direito de fundamentá-la, mas este país está acima dos seus governos regionais. Temos uma situação dramática, um país prestes a virar definitivamente uma ditadura, e uma ação que beneficie essa ditadura é inaceitável.

Qual a diferença entre hoje e as legislativas de dezembro de 2015?

Muitas pessoas nos diziam que não devíamos participar desta eleição, mas no fim demonstramos que podíamos ganhar bem. O governo aperfeiçoou seus mecanismos de abuso. E os converteu em mecanismos absolutamente aceitáveis. Isso nos obriga a revisar o voto como ferramenta.

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