Início Mundo Vice-presidente dos EUA critica "interferência" da UE em eleição na Hungria durante viagem a Budapeste
Mundo

Vice-presidente dos EUA critica "interferência" da UE em eleição na Hungria durante viagem a Budapeste

Reuters
Vice-presidente dos EUA critica "interferência" da UE em eleição na Hungria durante viagem a Budapeste
Vice-presidente dos EUA critica "interferência" da UE em eleição na Hungria durante viagem a Budapeste

Por Humeyra Pamuk e Anita Komuves

BUDAPESTE, 7 Abr (Reuters) - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou nesta terça-feira o que chamou de interferência "vergonhosa" da União Europeia em uma eleição na Hungria, enquanto elogiava o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, como um aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, em defesa da civilização ocidental.

A visita de Vance a Budapeste, poucos dias antes de uma eleição que, segundo pesquisas independentes, Orbán provavelmente perderá, ressalta o quanto o movimento MAGA de Trump considera crucial a reeleição do veterano nacionalista húngaro.

Enquanto isso, os ataques de Vance a Bruxelas provavelmente aprofundarão as divisões entre Washington e os líderes europeus, que estão nervosos com a guerra de Trump contra o Irã e outras políticas norte-americanas.

"O que aconteceu neste país, o que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral, é um dos piores exemplos de interferência eleitoral estrangeira que eu já vi ou sobre o qual já li", disse Vance em uma coletiva de imprensa.

"Os burocratas de Bruxelas tentaram destruir a economia da Hungria. Eles tentaram tornar a Hungria menos independente em termos de energia. Tentaram aumentar os custos para os consumidores húngaros, e fizeram tudo isso porque odeiam esse cara (Orbán)."

Vance, cuja própria visita a Budapeste na véspera da eleição de domingo atraiu alerta sobre "interferência estrangeira" na Hungria por parte do adversário de Orbán, Peter Magyar, disse que outros países europeus deveriam seguir as políticas energéticas de Orbán.

No entanto, não ficou imediatamente claro se isso se referia à importação de petróleo e gás russos. Orbán tem mantido laços cordiais com Moscou apesar da guerra na Ucrânia e diz que a energia russa é essencial para a Hungria.

A Comissão Europeia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as falas de Vance.

Trump já endossou pessoalmente Orbán, 62 anos, como "um líder verdadeiramente forte e poderoso" e Vance elogiou as políticas do primeiro-ministro húngaro em tudo, desde energia até a guerra na Ucrânia.

"Estou aqui por causa da cooperação moral entre nossos dois países, porque o que os Estados Unidos e a Hungria representam juntos, sob a liderança de Viktor e sob a liderança do presidente Trump, é a defesa da civilização ocidental."

Orbán, que está enfrentando a mais difícil candidatura à reeleição de sua carreira após 16 anos no poder, saudou o que chamou de "uma era de ouro" nas relações entre a Hungria e os EUA sob a liderança de Trump.

A autodenominada "democracia iliberal" de Orbán reflete os principais temas dos Estados Unidos da era Trump: políticas severas contra a imigração, desdém pelas normas liberais, hostilidade em relação às instituições globais e ataques à mídia, universidades e grupos sem fins lucrativos. Ele foi o primeiro líder europeu a apoiar Trump durante sua candidatura presidencial de 2016.

Orbán está há muito tempo em desacordo com a UE em uma série de questões, incluindo a Ucrânia. Ele se recusou a enviar armas para a Ucrânia, bloqueou um pacote de empréstimo de 90 bilhões de euros da UE para Kiev e diz que a Ucrânia nunca poderá se juntar ao bloco.

Ele também acusou a UE e a Ucrânia de tentar interferir nas eleições de domingo e disse que a Ucrânia quer interromper o fornecimento de energia da Hungria, algo que Kiev nega.

Em uma postagem no X antes da chegada de Vance, Magyar -- cujo partido Tisza, de centro-direita, é cotado por pesquisadores independentes para derrotar o Fidesz de Orbán na votação de domingo -- emitiu seu próprio alerta contra a interferência estrangeira na campanha eleitoral.

"Este é o nosso país", escreveu ele. "A história húngara não é escrita em Washington, Moscou ou Bruxelas -- ela é escrita nas ruas e praças da Hungria."

(Reportagem de Humeyra Pamuk, Anita Komuves, Krisztina Than, Gergely Szakacs e Lili Bayer, em Budapeste, e Alan Charlish, em Varsóvia)

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?