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Vieira diz à TV Argentina que educação é fundamental a diálogo e que ideologia é secundária

Estadão

Sem citar diretamente líderes de países com quem o Brasil trava imbróglios diplomáticos no momento - como o argentino Javier Milei ou o norte-americano Donald Trump -, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enfatizou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem "excelente relação" com os chefes de Estado do continente. "Só posso dizer que as relações do Brasil são mantidas com base em critérios de respeito às posições e de procura do interesse nacional pelos dois lados. A educação e o respeito são fundamentais. Sem isso, não pode haver diálogo, e a questão ideológica é totalmente secundária", garantiu.

O chanceler reforçou também que o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, permanecerá no Brasil depois que o País decidiu rebaixar as relações diplomáticas com o vizinho. Em entrevista ao programa Modo Fontevecchia , na TV da Argentina, ele salientou ainda que as pessoas que estavam no palco numa das quatro vezes em que Milei atacou o Brasil eram parte do grupo que tentou um golpe de estado no Brasil e que essa passagem foi uma "interferência absoluta" do presidente argentino em relação ao Brasil.

"O presidente Lula sempre diz que, para ele, não interessa a cor do partido que está no poder em outro país. Ele sempre diz que quer manter o diálogo, um diálogo correto, educado, de alto nível, defendendo o interesse nacional com todos os outros chefes de Estado, não só no nosso continente, mas em todo o mundo", afirmou, enaltecendo o presidente brasileiro ao dizer que Lula dá e recebe visitas de Estado

como nenhum outro brasileiro fez até hoje.

Vieira detalhou que a primeira das quatro manifestações de Milei que foram "agressivas, descabidas e grosseiras ao chefe de Estado brasileiro" ocorreu em 25 de julho, durante "uma campanha política de um candidato das eleições que ocorrerão dentro de dois meses" no Brasil. O evento foi o lançamento oficial de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência, em São Paulo, e que contou com a participação do argentino.

"Ele (Milei), de forma surpreendente - absolutamente surpreendente, inclusive nas atitudes e no comportamento - agrediu as instituições brasileiras, agrediu o governo brasileiro", enfatizou, acrescentando na sequência que se tratavam de pessoas ligadas ao grupo que promoveu a tentativa de golpe de Estado no Brasil. "A tentativa de golpe de Estado no Brasil é muito clara, é conhecida, foi investigada. Foi objeto de um processo judicial grave e sério que levou à condenação pela primeira vez inclusive no Brasil de altos comandantes militares com o testemunho de outros comandantes militares que não aderiram ao golpe. Quer dizer, é uma interferência absoluta", avaliou.

Vieira reforçou ainda que o governo apresentou sua decisão de rebaixar as relações com a Argentina ao nível de encarregado de negócios até que "cessem as condições que provocaram essa decisão". "As condições foram os reiterados insultos e agressões ao Brasil, às instituições do governo brasileiro, ao Executivo brasileiro, ao chefe do Executivo e também ao Judiciário", elencou. "Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou de uma forma inaudita, de uma forma que nunca tinha se visto, o Brasil às instituições na pessoa do presidente da República, o presidente Lula", continuou.

O chanceler aproveitou para lembrar que Brasil e Argentina sempre tiveram as melhores relações desde 1985, quando houve um célebre encontro entre os presidentes brasileiro José Sarney e Raúl Alfonsín na fronteira. Na ocasião, segundo ele, se estabeleceu um novo tempo e um novo tipo de relações bilaterais, de integração, de colaboração e de cooperação entre os países. "Foi criada uma relação muito especial e exemplar, que lamentavelmente tentaram destruir nesse momento."

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