Por Christina Amann e Christoph Steitz
OSNABRÜCK, ALEMANHA, 7 Set (Reuters) - A Volkswagen fechou nesta segunda-feira um acordo preliminar que prevê a conversão de uma de suas unidades na Alemanha para a produção de equipamentos de defesa sob nova administração, uma iniciativa inédita nos esforços da montadora para reestruturar fábricas que enfrentam dificuldades para competir com rivais chineses de custo mais baixo.
O acordo oferece um modelo potencial para outras unidades da Volkswagen com um futuro incerto, conforme a maior montadora da Europa inicia sua maior reestruturação de todos os tempos para recuperar margens de lucro e combater o excesso crônico de capacidade no mercado europeu estagnado.
De acordo com os termos iniciais do acordo, a Volkswagen venderá sua fábrica em Osnabrück para a empresa israelense Aurelius Capital e para o Estado da Baixa Saxônia, sede da Volkswagen, em uma medida que, segundo autoridades trabalhistas, poderia preservar cerca de 1.400 dos 1.800 empregos da unidade.
O acordo surge dias depois que a Volkswagen revelou uma grande reformulação para cortar empregos e simplificar estrutura, evidenciando como o aumento dos gastos com defesa na Europa poderia ajudar a absorver o excesso de capacidade de produção no setor automotivo.
A Volkswagen alertou que até quatro fábricas alemãs podem enfrentar fechamento ou conversão, a menos que sejam encontradas alternativas de uso em meio à fraca demanda, aos custos altos e à crescente concorrência da China.
CARTA DE INTENÇÕES
A Aurelius Capital e o Estado da Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen, assinaram na segunda-feira uma declaração de intenções para assumir a fábrica, onde a produção de veículos deve ser encerrada em 2027.
A Volkswagen afirmou que um “projeto âncora” inicial para Osnabrück seria uma cooperação com a israelense Rafael Advanced Defense Systems, uma das principais parceiras por trás dos sistemas de defesa aérea e antimísseis israelenses Iron Dome, Arrow e David’s Sling, confirmando o que fontes haviam informado à Reuters em maio.
“Esses planos envolvem a possível fabricação de sistemas e componentes para sistemas de defesa aérea para a Alemanha e a Europa”, afirmou a Volkswagen, acrescentando que a cooperação poderia abrir caminho para outros acordos desse tipo.
Outros projetos poderiam envolver a conversão das picapes VW Amarok em veículos militares, disse uma pessoa a par do assunto, acrescentando que a empresa polonesa de defesa WB Group poderia fazer o mesmo com veículos da MAN, de propriedade da Traton da Volkswagen.
A Baixa Saxônia e o WB Group se recusaram a comentar os planos, que foram divulgados pela primeira vez pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.
A produção para a defesa está sendo cada vez mais vista como uma solução para fábricas automotivas subutilizadas, com empresas como a Rheinmetall e a Continental buscando iniciativas semelhantes.
(Reportagem de Christina Amann, em Osnabrück, e Christoph Steitz, em Frankfurt)




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