A Guatemala decretou alerta laranja em todo o território; instituto de vulcanologia registrou jato de lava de até 300 metros acima da cratera e alerta que a atividade caminha para uma fase mais explosiva
O governo determinou a retirada de moradores de comunidades ao sul do Vulcão Fuego, que voltou a entrar em erupção. Segundo a secretária-executiva da Conred, órgão nacional de gestão de desastres, Claudinne Ogaldes, a atividade começou na manhã de segunda-feira (3) e aumentou ao longo do dia, o que levou às ordens de retirada em duas comunidades no entorno da montanha.
Imagens ao vivo mostraram grandes nuvens de gás e cinzas sobre o vulcão, com lava e fluxos piroclásticos descendo as encostas em alta velocidade. Em boletim, o Instituto de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia informou que a erupção ficou mais explosiva e que se formou sobre a cratera um jato de lava de 200 a 300 metros de altura. O órgão adverte que o processo caminha para uma fase ainda mais intensa.
Cerca de mil pessoas deixaram suas casas. De acordo com o porta-voz da Conred, Juan Laureano, cerca de 900 moradores saíram da comunidade de El Porvenir, entre eles aproximadamente 125 famílias, além dos moradores de Las Lajitas. Ônibus levaram os desabrigados, com seus pertences, a um prédio da prefeitura transformado em abrigo provisório em San Juan Alotenango.
A Conred decretou alerta laranja, o segundo mais grave da escala, válido para todo o país. A porta-voz Valeria Urizar orientou a população, em vídeo nas redes sociais, a sair por conta própria caso a retirada seja determinada ou as condições ofereçam risco à vida. A Rota Nacional 14, rodovia importante que passa perto do vulcão, foi interditada, e o Ministério da Educação suspendeu as aulas nas cidades vizinhas. O órgão também alertou para a dispersão de cinzas na região.
Entre os que saíram de casa está Manuel Cobox, de 46 anos, que deixou a residência com a mulher e as três filhas. Ele contou à AFP que ouviu os estrondos antes da erupção mais forte e disse ter fé em Deus de que a atividade se acalme logo.
Localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, a Guatemala convive com atividade sísmica e vulcânica frequente. Com 3.763 metros de altitude e a cerca de 35 quilômetros da capital, o Vulcão Fuego é o mais ativo da América Central e já provocou retiradas em massa nos últimos anos. Em 2025, mais de 500 pessoas foram levadas a abrigos, e uma erupção em 2023 tirou de casa cerca de 1.200 moradores. O caso mais grave foi em 2018, quando rios de lava soterraram os povoados de San Miguel Los Lotes e El Rodeo e deixaram 194 mortos confirmados e 234 desaparecidos, dados como mortos.



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