Por Laurie Chen e Eduardo Baptista
PEQUIM, 4 Set (Reuters) - O presidente Xi Jinping está preparando uma grande delegação empresarial para acompanhá-lo em sua visita a Washington, disseram duas fontes, uma medida incomum dado o ceticismo dos EUA em relação ao investimento chinês e os laços tensos de Pequim com a iniciativa privada.
Xi raramente viaja para o exterior com executivos de empresas, muitos dos quais caíram em desgraça após a repressão regulatória de Pequim aos setores de tecnologia, educação e imobiliário, que começou em 2020.
"A Casa Branca não está monitorando a delegação de CEOs chineses", disse um funcionário. A Casa Branca não explicou o que queria dizer com "monitorando".
A delegação empresarial para a cúpula de 24 de setembro não havia sido divulgada anteriormente. A Reuters não conseguiu apurar quais executivos integrariam a delegação.
A medida visa, em parte, sinalizar a disposição da China em apoiar investimentos e laços comerciais com os EUA, ao mesmo tempo que oferece à Casa Branca algumas vantagens econômicas potenciais antes das eleições de meio de mandato, disse uma das fontes familiarizadas com as discussões.
Nos últimos anos, as empresas chinesas têm enfrentado um escrutínio crescente em relação aos seus investimentos e operações comerciais nos EUA.
Washington impôs uma tarifa de 100% sobre a importação de veículos elétricos chineses, proibiu a importação de drones, roteadores e robôs estrangeiros e forçou o desinvestimento das operações do TikTok nos EUA. Também incluiu as principais empresas de tecnologia chinesas na Lista de Entidades, que reúne empresas ou organizações consideradas uma ameaça à segurança nacional, e em uma lista negra do Pentágono.
Xi Jinping trouxe um contingente empresarial considerável aos EUA pela última vez em 2015, incluindo o fundador da Alibaba Jack Ma, o fundador da Tencent Pony Ma, e executivos de bancos chineses e empresas estatais.
Durante essa visita, a China assinou um acordo de US$38 bilhões para 300 aeronaves da Boeing e Xi se encontrou com executivos de tecnologia dos EUA, incluindo Tim Cook, da Apple , Mark Zuckerberg, da Meta , e o fundador da Amazon Jeff Bezos.
Em contrapartida, o presidente dos EUA, Donald Trump, viajou para a China com grandes delegações de executivos norte-americanos, inclusive em visitas em 2017 e em maio deste ano, buscando maior acesso aos mercados chineses.
DELEGAÇÃO DOS EUA VISITOU PEQUIM
Trump levou 18 executivos norte-americanos, incluindo Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia , e Elon Musk, à China em maio, disseram as fontes.
"A minha impressão é que os chineses... vão ser mais intencionais quanto ao papel desses empresários, fazendo com que eles se juntem à delegação", disse Scott Kennedy, especialista em negócios chineses do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
A participação dos executivos poderia ser "realmente valiosa", disse ele.
Kennedy contrastou a abordagem chinesa com a organização da delegação norte-americana em maio, que, segundo ele, foi montada em cima da hora e cujos dirigentes eram "mais figurantes do que participantes sérios".
O Departamento do Tesouro dos EUA se recusou a comentar sobre esta matéria. O Escritório do Representante Comercial dos EUA e o Departamento de Estado não responderam aos pedidos de comentários da Reuters. O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que ambos os países mantêm comunicação sobre as interações planejadas entre seus líderes neste ano, sem dar mais detalhes.
CÚPULA SIMBÓLICA
Em maio, as duas nações anunciaram mecanismos formais para gerir as relações comerciais e de investimento. No entanto, três fontes distintas a par do assunto afirmaram que é improvável que o Conselho de Investimento apresente resultados significativos na cúpula, devido ao ambiente desafiador para o investimento chinês nos EUA.
As expectativas para a cúpula permanecem modestas, com perspectivas limitadas de grandes avanços, disseram as fontes.
Pequim e Washington também permanecem divididos sobre quais produtos devem ser considerados "não sensíveis" pela Junta Comercial, disseram as três fontes.
Cerca de 10 categorias de bens "não sensíveis" estão sendo discutidas para inclusão, mas isso pode mudar mais perto da cúpula, disse uma das fontes.
JUNTA COMERCIAL
Chegar a um acordo sobre a Junta Comercial é uma das principais prioridades dos EUA para a cúpula, juntamente com a obtenção de mais licenças de exportação de terras raras para empresas americanas, disseram as fontes.
Um funcionário norte-americano, que preferiu não ser identificado, disse que o governo continua pressionando seus homólogos chineses para que abordem a questão do descumprimento, por parte da China, do acordo anunciado em Busan, em outubro, que garantiu uma trégua comercial de um ano, suspendendo alguns controles de exportação e tarifas, além de outras preocupações bilaterais.
Pequim pressionou por mais alívio tarifário. O Ministério do Comércio da China afirmou em julho que ambos os lados estavam explorando reduções tarifárias recíprocas que abrangeriam US$30 bilhões em produtos.
Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado, em fevereiro, as tarifas relacionadas à China impostas pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, Washington posteriormente introduziu uma tarifa global de importação de 10%.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse na quinta-feira que ambos os países farão "alguns anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias" durante a cúpula, sem fornecer detalhes.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, Greer e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, se reunirão no início de setembro para discutir os resultados esperados da cúpula, disseram quatro fontes à Reuters. A Reuters não conseguiu determinar a data ou o local exatos das conversas.



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