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XP fecha parceria com plataforma de mercados preditivos Kalshi

SÃO PAULO, 9 Mar (Reuters) - A XP International, do grupo XP Inc., fechou uma parceria com a plataforma de mercados preditivos Kalshi, dos Estados Unidos, pela qual clientes da marca Clear com conta de investimento internacional poderão negociar contratos de previsão.

Os "prediction markets" são mercados organizados nos quais os participantes negociam contratos vinculados a resultados de eventos verificáveis, como indicadores econômicos, decisões de política monetária e resultados de eleições, entre outros.

Os preços refletem a probabilidade agregada que o mercado atribui a um determinado cenário, funcionando como um "termômetro" das expectativas dos participantes.

De acordo com o diretor de Produtos Financeiros da XP Inc., Lucas Rabechini, os "prediction markets" oferecem aos investidores mais uma ferramenta para análise de cenário, posicionamento e proteção de portfólio.

"Acreditamos que esse mercado tem alto potencial de ampliar e complementar o mercado atual", afirmou Rabechini em comunicado.

Trata-se da primeira parceria estratégica da Kalshi com um grupo financeiro fora dos Estados Unidos, onde a plataforma é supervisionada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), que regula o mercado de derivativos norte-americano.

"Expandir o acesso aos prediction markets para o Brasil é um passo importante para oferecer a mais pessoas ao redor do mundo acesso a mercados justos, seguros e regulamentados", disse a cofundadora e diretora de operações da Kalshi, Luana Lopes Lara.

Neste primeiro momento, segundo a XP, o foco está em eventos financeiros e econômicos.

No Brasil, a B3 também recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para lançar três novos produtos sobre os valores de Ibovespa, dólar e bitcoin, inicialmente apenas para investidores profissionais. A expectativa é que a operadora da bolsa de São Paulo lance os produtos ainda neste semestre.

"Os mercados preditivos trazem inovações ligadas especialmente à oferta de uma experiência simplificada, e é fundamental, para os investidores, que essas operações aconteçam em um ambiente regulado", afirmou a B3 em resposta a questionamentos da Reuters.

A B3 afirmou que oferece desde 2020 uma opção relacionada ao Copom, "que segue, em essência, a mesma lógica dos mercados preditivos" e acrescentou que desde o final do ano passado ampliou essa oferta com as opções de Política Monetária do Fed, México e Europa.

Em nota, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda disse que acompanha o tema de forma contínua e técnica e que, no momento, "não há empresas brasileiras formalmente autorizadas pela SPA a atuar nesse segmento".

Segundo o ministério, "quaisquer outras avaliações regulatórias sobre o assunto dependem da conclusão das análises técnicas em curso e serão conduzidas em articulação com os órgãos competentes, entre eles a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no intuito de análise acerca de eventuais interfaces regulatórias".

(Por Paula Arend Laier e Michael Susin)

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