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Zelenskiy acusa EUA de inércia enquanto ataques russos matam mais de 70 pessoas em dois dias

Reuters
Zelenskiy acusa EUA de inércia enquanto ataques russos matam mais de 70 pessoas em dois dias
Zelenskiy acusa EUA de inércia enquanto ataques russos matam mais de 70 pessoas em dois dias

Por Yuliia Dysa e Max Hunder

KIEV, 8 Out (Reuters) - O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, acusou os EUA de não estarem dispostos a ajudar a Ucrânia depois que um ataque com bombas russas nesta quinta-feira matou pelo menos 30 pessoas no leste do país, elevando para mais de 70 o número de mortos em dois dias devido aos ataques russos.

Horas depois que o ataque à cidade sitiada de Kramatorsk atingiu dois ônibus, Zelenskiy criticou os esforços de Washington para manter laços econômicos com a Rússia, ao mesmo tempo em que busca mediar a guerra que já dura mais de quatro anos.

O ataque da manhã ocorreu um dia depois que um ataque em massa com drones e mísseis russos matou dezenas de pessoas em toda a Ucrânia — 22 delas em um prédio residencial na cidade de Pryluky, na região central do país, a cerca de 130 km a leste de Kiev.

Setenta e oito pessoas morreram e outras 215 ficaram feridas em ataques nos últimos dois dias em toda a Ucrânia, disse Zelenskiy.

Em declarações à imprensa em Pryluky, o líder ucraniano instou os EUA a atenderem aos seus pedidos de ampliar o acesso da Ucrânia ao serviço de satélites Starlink para ajudar o país a atingir lançadores de mísseis balísticos russos.

“ISSO SE CHAMA FALTA DE VONTADE”

“Abram o Starlink para a Ucrânia. Vocês o abriram quando estavam respondendo ao Irã... Eu disse bem abertamente: deem isso a nós, ajudem-nos a defender nossos céus e a dominar essa área. E então Putin se sentará à mesa de negociações”, afirmou ele em uma declaração emocionada.

Nos últimos meses, a Ucrânia tem buscado tirar a iniciativa no campo de batalha da Rússia, cujos avanços diminuíram este ano, mas ainda sofre com a guerra aérea cada vez mais brutal de Moscou.

“Então, onde está a verdade aqui, onde está a honestidade? Onde está o impasse? ... Isso se chama falta de vontade”, disse ele, referindo-se à afirmação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta quinta-feira, de que a guerra está em um impasse e que os Estados Unidos continuariam trabalhando em busca de um acordo.

“Não se pode, por um lado, negociar com os russos sobre futuros projetos econômicos e, por outro lado, dizer que nos encontramos em algum tipo de... impasse diplomático”, acrescentou Zelenskiy.

Importantes autoridades russas e norte-americanas, incluindo o enviado especial dos EUA Jared Kushner, mantiveram conversações sobre a entrada de um investidor norte-americano nos gasodutos Nord Stream, que transportavam gás russo para a Alemanha antes de Moscou invadir a Ucrânia, informou a Reuters nesta quinta-feira.

Negociadores ucranianos estarão nos EUA na sexta-feira e no sábado para conversações, acrescentou Zelenskiy, instando o presidente dos EUA, Donald Trump, a aumentar a pressão das sanções sobre a Rússia.

INTENSIFICAÇÃO DOS ATAQUES

Dezoito pessoas também ficaram feridas no ataque a Kramatorsk — um dos maiores ataques isolados do ano perpetrados pela Rússia. Moscou negou ter como alvo civis, mas bombardeia regularmente cidades com mísseis e drones.

“Os russos estão deliberadamente atacando civis. Para eles, um ônibus com passageiros é um alvo atraente justamente porque um único ataque pode matar o maior número possível de pessoas”, disse o governador regional Vadym Filashkin no aplicativo Telegram.

Imagens divulgadas por autoridades mostravam corpos espalhados por uma rua repleta de escombros e a carcaça carbonizada de um ônibus. Alguns corpos ainda não haviam sido identificados, disse Zelenskiy, acrescentando que o ataque não ficaria impune.

Separadamente nesta quinta-feira, três pessoas morreram e 14 ficaram feridas em ataques matinais à capital ucraniana, Kiev, segundo o prefeito Vitali Klitschko.

A Rússia tem lançado ataques implacáveis com drones contra Kiev nas últimas semanas, visando armazéns, data centers e retomando sua campanha contra a rede elétrica da Ucrânia antes do inverno.

“Putin e seu regime não têm intenção de parar com as mortes”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, no X.

“Pelo contrário, estão intensificando-a, transformando a vida cotidiana dos civis em alvo das bombas russas.”

(Reportagem de Yuliia Dysa, Max Hunder e Dan Peleschuk; )

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