As discussões sobre o fim da escala 6x1, que dominou o Senado Federal, nesta semana e já passou pela Câmara Federal, ganha um destaque no Polo Industrial de Manaus, onde pelo menos 130 mil industriários acompanham esse debate com atenção.
Mas a nem a voz dos metalúrgicos do Amazonas e nem de outras categorias como dos comerciários, está nos textos do Portal do Holanda, que tem divulgado a tramitação dessa que é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) que acaba com a escala de trabalho 6x1, tem como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM). https://www.portaldoholanda.com.br/brasil/fim-da-escala-6x1-pode-ser-votado-nesta-quarta-feira-no-senado .
Essa proposta reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos, sem qualquer prejuízo nos salários dos trabalhadores.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), o Estado tem cerca de 130 mil industriários representados pela entidade, que tem entre suas principais reivindicações nos acordos trabalhistas a redução da jornada de trabalho que vai ao encontro da proposta da jornada de 5x2.
Na rede social Facebook, o Sindmetal registra algumas negociações nas quais houve aprovação de escala flexível de trabalho.
Nos setores de comércio e serviço, conta-se quase 400 mil trabalhadores, que têm interesse nesse debate. E esses setores representam mais de 87% das empresas registradas na Junta Comercial do Estado do Amazonas (Juceam).
Uma visita ao site da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio) mostra que a entidade, representantes dos empregadores desse setor, é contra a aprovação da escala 6x1 antes das eleições de outubro. No texto que reproduz posição da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), fala de uma “conta alta paga pelos empresários”, citando que a economia brasileira já enfrenta condicionantes severos como juros altos, crédito caro e restritivo, endividamento recordes das famílias, inadimplência sem precedentes entre as empresas, desinvestimento e saída de empresas estrangeiras do País.
Os leitores do Portal do Holanda no Facebook se manifestaram, alguns preocupados com os efeitos negativos dessa mudança no horário de trabalho, apontada como causadora de aumento de custos que serão repassados aos consumidores.
O leitor @eloan_alessandro questionou os aplausos à aprovação da PEC na CCJ do Senado. “O que vocês estão aplaudindo? O fim da 6x1 pode ser uma boa pauta, mas alguém precisa pagar essa conta. E não será político nenhum: será o empresário. Pequenas e médias empresas já estão sufocadas. Aumentar o custo à força pode significar demissões, preços maiores ou empresas fechando as portas. No fim, a conta pode chegar justamente em quem vocês dizem querer proteger: o trabalhador”.
E outro leitor, @Lepo.martins respondeu a @eloan_alessandro:
“Em 1940, falavam que a criação do salário mínimo ia quebrar o país. Quebrou? Em 1962, falavam que o 13º salário ia quebrar o país. Quebrou?
Em 1977, falavam que as férias remuneradas de 30 dias iam quebrar o país. Quebrou? Em 1988, falavam que a redução da jornada dos trabalhadores de 48h pra 44h semanais ia quebrar o país. Quebrou?
O fim da escala 6x1 é urgente e necessário ao povo trabalhador brasileiro”, finalizou o leitor.
Quem está com a razão não se sabe, mas seria interessante o Portal do Holanda mostrar os dois lados da questão: as vozes de quem atua no Amazonas, em Manaus, tanto dos trabalhadores quanto dos empregadores do comércio e da indústria no Amazonas, deixando o leitor com mais informações para se posicionar de forma clara, objetiva e fundamentada.
Ex-Policiais fora da lei
Outra notícia que deveria ter sido mais trabalhada, como se diz no jargão das redações, foi a do motim realizado no último dia 1º de setembro, por ex-policiais militares presos na Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas, situada na BR-174.
Lendo-se os textos, presume-se que entre as reivindicações desses que agora são ex-policiais, uma é mudar de endereço para outra unidade onde teriam mais regalias.
Faltou dizer quantos são esses ex-policiais presos e quais os seus crimes. Quais histórias estão por trás dessas prisões de homens que já foram autoridades dignas de admiração pela população.
Uma pesquisa rápida na Internet diz que homicídio, estupro, tráfico de entorpecentes, facilitação de fuga e corrupção lideram os crimes praticados por esses homens, que foram identificados, condenados e por isso estão presos.
Nos textos como https://www.portaldoholanda.com.br/policial/pms-presos-provocam-motim-em-unidade-prisional-na-br-174 ; https://www.portaldoholanda.com.br/policial/mp-am-diz-nao-haver-possibilidade-de-pms-presos-retornarem-a-antiga-unidade-apos-motim?ref=leia-tambem&ref_art=987748&ref_pos=1 ; https://www.portaldoholanda.com.br/policial/ssp-am-vai-investigar-motim-em-presidio-e-possiveis-crimes-cometidos-por-pms-presos?ref=leia-tambem&ref_art=987748&ref_pos=2 , não há detalhes sobre quem são eles, de quais crimes foram penalizados e quais as condições oferecidas nessa unidade prisional, embora fale-se de busca de regalias. Quais são as regalias pretendidas?
Da mesma forma que no assunto escala 6x1, o Portal do Holanda pode contribuir com informações importantes e necessárias para dar ao leitor uma visão mais ampla do cenário, permitindo não o julgamento rápido e sem fundamento, mas a formação de opinião que não signifique simples achismo.
Ombudsman
Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].
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