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O papel do jornalismo diante da seca histórica anunciada para este ano

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Por Ana Celia Ossame
19/06/2026 20h00 — em Ombudsman

Uma grande diferença entre o jornalismo presencial e o feito pela Inteligência Artificial (IA). é a possibilidade de se fazer perguntas, mesmo as mais simples, como as que podem e devem ser feitas a governo do Estado, prefeituras municipais e até aos moradores das comunidades a serem atingidas pela grande seca, esperada para este ano.

Agora, que já estamos em “situação de emergência climática”, com anuncia o decreto do governador Roberto Cidade, antes que os piores cenários se confirmem, deve-se fazer as perguntas que podem antecipar providências.

Na estiagem de 2023, a maior dos últimos 122 anos, 59 cidades do Amazonas foram atingidas de forma severa, comunidades ficaram sem água, sem abastecimento regular de alimentos, remédios, energia elétrica e com muitas dificuldades para deslocamentos.

Para este ano, as previsões são ainda piores. Com a confirmação da atuação do fenômeno El Niño, que causa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Tropical e com isso traz escassez de chuvas no Amazonas, a seca deve atingir mais do que as 633 mil famílias alcançadas em 2023, como foi registrado pela Defesa Civil do Amazonas. E a capital, Manaus, está incluída nesse cenário.

Antes que a fumaça embace a visão e sufoque a nossa respiração, como aconteceu em 2023, é importante que o jornalismo do Portal procure saber como os prefeitos e seus secretários estão se preparando para este evento. E pergunte pelas ações antes que essas se tornem apenas atos emergenciais, corridas perdidas contra um tempo que não se tem mais para planejar.

Nas redes sociais, alguns leitores do Portal ironizam o anúncio das ações do governo com insinuações de que virão os decretos de emergência. Para muitas comunidades, é o que vai salvá-las, mas é preciso mostrar como isso vai acontecer e não deixar só a informação oficial prevalecer nos meios de comunicação.

O decreto do governo não sairá do papel apenas com boa vontade. O Portal pode prestar um grande serviço às populações do interior se começar a fazer as perguntas certas e oportunas, antes que os problemas se tornem difíceis de resolver.

São mais de 633 mil pessoas que sofrerão diretamente os efeitos da estiagem severa em 2023, são vidas, pessoas que merecem ser ouvidas antes, até porque têm experiências que podem contribuir para melhorar as estratégias a serem implementadas nas comunidades e assim possa-se diminuir o sofrimento e os transtornos.

Manaus também será atingida pela seca do Rio Negro e Solimões, mas sentirá os demais efeitos como a escassez de frutas, verduras, farinha e peixes que vêm dos municípios, o que significa elevação de preço desses produtos.

Será uma verdadeira operação de guerra na medida em que se prevê, inclusive, o deslocamento temporário de gestantes, idosos, crianças ou pessoas com tratamentos médicos específicos para centros urbanos ou locais com maior acesso à saúde. Está no decreto esse ponto.

As experiências, expectativas e preocupações da população sobre como vai enfrentar a seca histórica que se desenha nas previsões, não podem aparecer apenas sob a ótica dos órgãos governamentais e os textos de seus assessores. Porque eles só dirão o que interessa ao governo e às prefeituras.

É preciso ir aonde a notícia está e esse será um grande momento para o jornalismo e para o Portal fazer história, mostrar o antes e o depois, por exemplo. Repórter sujando sapato de poeira, pedindo licença para entrar nas casas e conversar com as pessoas, perguntar, questionar.

Mostrar como elas sobrevivem nessas comunidades onde a seca ou a cheia comandam a vida, como já disse, com muitas sabedoria e sensibilidade, o escritor paraense Leandro Tocantins. E ouvir os depoimentos deles de como é ser olhado quando os eventos naturais se transformam em tragédias e em decretos.

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Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].

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