Manaus/AM - A Polícia Civil deu detalhes, na manhã de hoje (5), de como agia a quadrilha presa por sequestrar, torturar e roubar mais de 17 clientes de sites e aplicativos de relacionamento que contratavam programas sexuais.
“Os criminosos colocavam as fotografias (...), as vítimas ligavam para o número marcando o encontro sexual e no momento em que ela chegava no local, era sequestrada. Eram cinco pessoas para amordaçar e render essa vítima”, diz o delegado Marcelo Martins.
O grupo era composto por homens, mulheres, travestis, idosos e até adolescentes. Alguns deles serviam como iscas e eram as pessoas que aparecem nos sites.
“Haviam ali três travestis que participavam dessa quadrilha, além de uma menor de idade e uma outra jovem que colocavam as suas fotografias nesses sites de programas sexuais para atrair as vítimas. Quando as vítimas vinham na casa de uma das integrantes, entravam no quarto e naquele momento também entravam outros integrantes para amordaçar e prender essa pessoa, conta o delegado.
A partir desse momento, começava a tortura e a extorsão. Cada membro da quadrilha tinha um papel específico e agiam de forma coordenada.
“Umas serviam para atrair as vítimas, outros serviam para amordaçar, para atemorizar com facas, com socos nas vítimas, com enforcamento. Outras ainda serviam para fornecer a residência onde a vítima seria sequestrada, outros cuidavam do cativeiro. Percebe-se que toda uma ação orquestrada, uma estratagema para muito bem preparada para fazer um grande número de vítimas”, pontua.
Entre a quinta e a sexta-feira (5), a polícia já encontrou ao menos três cativeiros a partir de um flagrante, e 9 vítimas registraram denúncia em apenas 24 horas.
Mais de 17 pessoas que foram sequestradas e extorquidas pelos suspeitos já foram identificadas. Uma delas contou que em uma noite viu outras três pessoas serem raptadas e torturadas no mesmo cativeiro onde ela ficou.
Todas foram liberadas após entregarem tudo o que tinham e limparem suas contas bancárias. Segundo o delegado, o prejuízo causado pela organização criminosa supera os R$ 100 mil.
Além dos clientes, o grupo também sequestrava e roubava motoristas de aplicativos. Estes também eram torturados para entregarem senhas de cartões, fazer transferências em pix e entregar dinheiro.
A maioria dos cativeiros eram localizados no bairro do Coroado, mas como eles já estavam chamando a atenção de traficantes da área e sendo ameaçados por eles, decidiram alugar casas no bairro de Petropólis para também servirem como cativeiros. No local a polícia encontrou crianças e idosos residindo no imóvelm, como se fosse apenas uma moradia comum.

