Manaus/AM - O caso da morte de Carlos André de Almeida Cardoso, ocorrida na madrugada do último domingo (19) durante uma perseguição policial no bairro Alvorada, em Manaus, ganhou novos desdobramentos. O advogado da família, Alexandre Torres Jr., afirmou que amigos da vítima e testemunhas do episódio estão sendo ameaçados por policiais, o que, segundo ele, configura tentativa de coação no curso do processo.
Torres Jr. declarou nesta terça-feira (21) que não vai descansar até que sejam identificados os responsáveis pelas intimidações: “Vamos prosseguir também investigando quem são os policiais responsáveis por praticarem coação no curso do processo e intimidarem testemunhas e amigos da vítima e nós não vamos descansar”, disse.
A família comemorou a decisão da Justiça de decretar a prisão preventiva dos dois policiais militares suspeitos do crime. O advogado destacou que, quando assumiu a defesa, ambos estavam em liberdade, mas agora deverão responder pela morte de Carlos André.
"Quando o nosso escritório assumiu a defesa das vítimas, no caso Carlos André, que foi brutalmente assassinado em uma abordagem policial aqui em Manaus no bairro Alvorada, ambos os policiais militares envolvidos estavam em liberdade. Hoje nós tivemos conhecimento de que o poder judiciário decretou a prisão preventiva de ambos os policiais militares envolvidos nessa ocorrência".
Outro ponto levantado pela defesa foi a origem da arma utilizada por um dos policiais, que não pertencia à Polícia Militar e tampouco estava registrada em nome de Belmiro Wellington Costa Xavier, um dos envolvidos. Torres Jr. afirmou que irá cobrar das autoridades explicações sobre esse detalhe, que pode indicar irregularidades adicionais.
"Com mais essa etapa concluída, a defesa das vítimas vai prosseguir na investigação policial, especialmente oficiando a Polícia Federal para que informe a regularidade na arma do crime", afirmou Alexandre.
As denúncias de ameaças contra familiares e testemunhas ampliam a gravidade do caso, já que podem comprometer a investigação e intimidar quem busca colaborar com a Justiça. O advogado reforçou que seguirá pressionando para que os responsáveis sejam punidos e que o processo ocorra de forma transparente.
Esse viés das intimidações coloca em evidência não apenas a violência da abordagem policial, mas também a necessidade de proteção às vítimas e testemunhas, além de maior rigor no controle das ações policiais.



