Manaus/AM - A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), detalhou em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23) a prisão de uma mulher trans de 31 anos, identificada socialmente como Aurora e batizada como Lucas, acusada de cometer um ataque de extrema brutalidade contra um idoso alemão de 61 anos. O crime aconteceu no dia 16 de setembro, em uma kitnet familiar situada nas proximidades da Avenida Jonathas Pedrosa, no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul de Manaus.
De acordo com a investigação policial, a suspeita é enteada da vítima, mantendo um relacionamento afetivo com a mãe do autor há cerca de cinco anos. Relatos colhidos apontam que havia um histórico de desentendimentos familiares motivados pela falta de aceitação da identidade de gênero da suspeita por parte do idoso.
Dinâmica do crime e mutilação
No dia da ocorrência, sob o argumento de ter consumido uma substância entorpecente potencializada logo no início da manhã, a suspeita aguardou o idoso de toalha dentro do apartamento. Assim que a vítima retornou, foi surpreendida em uma emboscada.
Conforme os laudos médicos do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio e as evidências colhidas, o ataque evoluiu para uma luta corporal violenta onde a suspeita desferiu mordidas na face do idoso, chegando a decepar as duas orelhas — cujos pedaços não foram encontrados e teriam sido engolidos. Em seguida, a agressora introduziu os dedos nas cavidades oculares da vítima. A gravidade das lesões e a destruição dos globos oculares exigiram posteriormente a cirurgia de remoção total dos olhos, deixando o idoso com cegueira bilateral permanente.
A investigação aponta que, após desmaiar devido às agressões e perder a consciência, o idoso foi vítima de violência sexual. A vítima recobrou os sentidos no momento em que sofria o abuso e, já sem enxergar nada, correu desesperadamente em direção à sacada do apartamento, localizado no terceiro andar, caindo sobre o telhado de um imóvel vizinho na tentativa de salvar sua vida.
Investigação e depoimento
Inicialmente, a família do idoso desconhecia a autoria do crime e o encaminhou ferido ao hospital. A verdade veio à tona após a vítima recuperar a consciência e relatar os fatos aos familiares.
Durante o interrogatório policial, a suspeita alegou lembrar apenas de "flashes" das mordidas e negou ter cometido o abuso sexual, afirmando ainda ter cortado as próprias mãos ao tentar manusear uma faca durante a briga sob efeito de drogas. No entanto, os indícios técnicos e periciais coletados sustentam a acusação de estupros e agressões severas.
A prisão preventiva foi representada pela autoridade policial ainda durante o plantão judiciário e cumprida nas imediações da Avenida dos Franceses. O suspeito foi indiciado por estupro consumado e tentativa de homicídio triplamente qualificado, passando por audiência de custódia nesta manhã, ficando à disposição da Justiça.
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