O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (13), uma operação que tem como alvos 19 policiais militares suspeitos de envolvimento na morte de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos. O caso ocorreu em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, zona oeste de Manaus, e gerou intensa comoção social e protestos na capital.
Entenda o caso
A investigação é conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial. O ponto central da apuração são imagens gravadas por moradores, que contestam a versão oficial da Polícia Militar. Na época, a corporação afirmou que a equipe da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) foi recebida a tiros durante uma denúncia de tráfico de drogas, resultando em um confronto.
Contudo, o vídeo mostra João Paulo sendo abordado e rendido pelos agentes sem oferecer resistência. Testemunhas e a defesa da família relatam que o jovem foi algemado e levado para o interior de uma residência, de onde foi retirado minutos depois, já sem vida, envolto em um lençol branco. Laudos periciais apontaram que a vítima foi atingida por três disparos — no peito e no abdômen — que causaram hemorragia interna severa.
Investigação em curso
A família de João Paulo, que trabalhava como ajudante de pedreiro, nega qualquer ligação do jovem com atividades criminosas e sustenta que as armas e drogas apresentadas pela polícia após o fato foram forjadas para justificar uma execução.
A operação desta sexta-feira cumpre mandados judiciais expedidos para aprofundar a coleta de provas e esclarecer a responsabilidade dos 19 policiais militares citados na ação. O episódio, que na época provocou bloqueios na Avenida Brasil e manifestações por justiça.

