Uma investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) tomou um rumo decisivo neste sábado (16), com a realização de buscas para localizar os restos mortais de um policial militar aposentado, desaparecido desde 2019. O principal suspeito do crime é o próprio filho da vítima, Gabriel Maciel, que confessou o assassinato e foi preso.
A ação policial ocorre na Rua Álvaro Peres Filho, no bairro Nova Esperança, Zona Norte de Manaus. O terreno, onde ficava a antiga residência da família, encontrava-se abandonado e vinha sendo utilizado como descarte irregular de lixo e entulho, o que dificultou os trabalhos iniciais de escavação.

O caso, tratado como desaparecimento desde 2019, foi elucidado após uma abordagem da ex-companheira da vítima e madrasta do suspeito. Segundo o delegado Gerson Oliveira, da DEHS, a mulher sempre desconfiou do envolvimento do jovem e decidiu procurá-lo. Gabriel, que devido ao vício em drogas havia se tornado morador de rua e trabalhava como flanelinha na região da Ponta Negra, foi localizado por ela durante a madrugada deste sábado.
Ao ser pressionado pela madrasta — com quem mantinha uma relação de afeto desde a infância —, Gabriel confessou o homicídio. Ele revelou que, antes do crime, havia compartilhado fotos das armas de fogo do pai. As imagens atraíram o interesse de outros dois criminosos, que o incentivaram e o ajudaram a cometer o assassinato para roubar o armamento.
Conforme o relato do suspeito à polícia, após matarem o ex-PM em 2019, o trio envolveu o corpo da vítima em uma rede e o jogou de cabeça para baixo em uma cova circular profunda — descrita por moradores como uma espécie de cacimba — localizada no quintal da casa. Para evitar que o corpo boiasse ou fosse descoberto, os criminosos jogaram pedras pesadas por cima da vítima.

"Eles mataram o pai, pegaram as armas dele, enrolaram numa rede e empurraram nesse buraco de cabeça para baixo. O buraco é estreito, mas cabe uma pessoa. (...) Depois colocaram pedras por cima para que ele não viesse a flutuar", explicou o delegado Gerson Oliveira.
Ainda na manhã de sábado, Gabriel foi levado pela equipe policial até o imóvel para apontar o local exato da ocultação. Inicialmente, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) removeu o entulho de uma área retangular indicada, mas nada foi encontrado.
Após novos questionamentos na delegacia, o suspeito detalhou que o corpo estava em uma perfuração circular ainda mais profunda, abaixo da área já escavada. Diante da complexidade do terreno, o próprio Gabriel foi colocado para auxiliar na retirada manual dos resíduos de terra e água.
Até o fechamento desta reportagem, as equipes haviam conseguido visualizar a abertura do buraco subterrâneo. O Corpo de Bombeiros, que havia feito uma pausa técnica, retornou ao local no período da tarde para dar continuidade à remoção das pedras e resgate dos restos mortais.
A DEHS informou que as investigações continuam em andamento para identificar e prender os outros dois comparsas envolvidos na execução e no roubo das armas.




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