O histórico de negligência de uma mãe e de um padrasto ganhou mais um capítulo trágico no município de Itapiranga, no interior do Amazonas. Na última terça-feira (23), o casal foi parar atrás das grades após vizinhos denunciarem o abandono de uma menina de apenas 1 ano de idade. A criança passou horas desamparada na calçada, enquanto o padrasto dormia no interior de uma casa descrita pelas autoridades como completamente insalubre e sem comida.
O que mais chamou a atenção da polícia, no entanto, foi o passado da mãe da criança. Esta é a segunda vez que ela é detida pelo mesmo motivo. Em um caso anterior, outro filho dela, também de 1 ano na época, foi resgatado enquanto caminhava sozinho e sem rumo pelo meio da rua.
A operação de resgate começou com um chamado urgente para o Conselho Tutelar. Ao chegarem ao endereço, assistentes sociais constataram o perigo e acionaram a polícia. Dentro do imóvel, o cenário era de total abandono: montanhas de lixo espalhadas, geladeira vazia e um forte odor, tornando o ambiente inabitável.
Ao ser acordado pelos agentes, o padrasto, de 26 anos, tentou se esquivar da culpa usando um argumento que logo seria repetido pela companheira. Conforme explicou o delegado Aldiney Nogueira, o homem afirmou que "achava que a bebê estava com a mãe".
Os policiais então iniciaram buscas pela mãe da vítima, uma jovem de 25 anos, localizada na residência de parentes. Ao receber a voz de prisão, ela devolveu a justificativa, alegando ter certeza de que a filha havia ficado sob a proteção do padrasto.
Segundo as investigações, o casal é usuário frequente de entorpecentes e o comportamento negligente com os filhos já vinha sendo monitorado na cidade. O "jogo de empurra" sobre a responsabilidade da criança não convenceu as autoridades, e ambos foram autuados em flagrante por abandono de incapaz.
Com a prisão do casal, o Conselho Tutelar agiu rapidamente para cortar o ciclo de abusos. A guarda das crianças foi revogada imediatamente. A bebê resgatada e o irmão mais velho agora seguem acolhidos em um abrigo municipal, longe do ambiente de risco, enquanto a mãe e o padrasto permanecem na carceragem da delegacia local, aguardando a audiência de custódia.



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