Um policial militar das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar (PM) de São Paulo, será investigado pela Polícia Civil por suspeita de usar seu Facebook para ameaçar e xingar o soldado da corporação que beijou na boca outro homem no Metrô da capital paulista.
Segundo o G1 São Paulo, o caso ficou conhecido após vídeo feito por celular sem autorização mostrar o soldado da PM Leandro Prior, 27, dar um "selinho" em um amigo. Na ocasião, o soldado havia deixado o trabalho, mas aparecia fardado dentro de um vagão na Linha 3-Vermelha do Metrô, o que chamou a atenção de quem filmou. As imagens viralizaram na internet.
Por causa de declarações públicas como “esse tinha que morrer na pedrada” e “canalha safado”, o policial da Rota será investigado por suspeita de ameaça e injúria pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). As postagens foram feitas no dia 24 de junho.
"Aqui não aceitamos um policial fardado em pleno Metrô beijando um homem na boca. Desgraçado, desonra para minha corporação. Esse tinha que morrer na pedrada! Canalha safado! Se alguém não gostar desse comentário, f* você também!", escreveu o policial em sua página pessoal, que também foi compartilhada por outros policiais. Ela saiu do ar nesta quinta-feira (5).
Prior, que apareceu nas imagens gravadas sem seu consentimento, registrou na terça-feira (3) boletim de ocorrência na Decradi, que é uma delegacia especializada em crimes de intolerância. Como homofobia não é crime, serão apuradas as ameaças e xingamentos com teor homofóbico contra o soldado para que o responsável por elas possa ser responsabilizado criminalmente.
Por causa dessa e de outras ameaças que vem sofrendo desde que o vídeo foi divulgado na web, Prior pediu afastamento médico à PM para se tratar. Por meio de nota divulgada nesta semana, a Polícia Militar havia informado que "as ameaças feitas ao PM pelas redes sociais, com conotação homofóbica, estão sendo apuradas”. “Além da investigação, a instituição colocou à disposição do policial militar medidas protetivas, por meio do Programa PM Vítima, da Corregedoria”, conclui a nota.
Mas mesmo figurando como vítima, o soldado terá de responder a um procedimento administrativo também na corporação. Segundo a PM, a atitude de Prior no Metrô não obedeceu a regras de segurança exigidas pela corporação. Ele teria deixado o coldre da arma aberto.
“A conduta do PM fardado no Metrô captada em vídeo será apurada única e exclusivamente sob o aspecto administrativo, pois demonstra postura incompatível com os procedimentos de segurança que se espera de um policial fardado e armado, que exigem que esteja alerta”, informou a nota da corporação.
Prior deve voltar ao trabalho no próximo dia 11..

