A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta quarta-feira (5) uma operação para cumprir dezenas de mandados de prisão contra suspeitos de integrar o Comando Vermelho, principal organização criminosa do estado. Até as 11h, oito pessoas haviam sido presas, segundo apurou a Agência Brasil.
Os alvos formam um braço da facção especializado no roubo de automóveis e são apontados como integrantes do grupo que atua na comunidade Fallet-Fogueteiro, nos morros da região central da capital fluminense. A investigação é conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital e integra a Operação Contenção, voltada a enfraquecer o CV no Rio.
Segundo o inquérito, a quadrilha ampliou a atuação no roubo de veículos nos bairros do entorno como forma de ganhar poder econômico e capacidade operacional. Os carros furtados ou roubados alimentavam desmanches clandestinos e o comércio ilegal de peças, além de serem usados em outras ações criminosas, o que sustentava um ciclo de financiamento da organização.
O trabalho começou com foco no tráfico de drogas, mas a concentração de ocorrências em Santa Teresa, no Centro e na Grande Tijuca chamou a atenção dos investigadores: os registros de roubos e furtos de veículos subiam nessas áreas na contramão da tendência de queda observada no restante da cidade. A polícia afirma ter feito amplo trabalho de inteligência, com análise de imagens e cruzamento de dados, o que embasou os pedidos de prisão preventiva deferidos pela Justiça. Delegacias especializadas e a Coordenadoria de Recursos Especiais, divisão de elite da corporação, dão apoio à ação.
Iniciada em 2025, a Operação Contenção tem como objetivo desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da facção que domina diversas regiões da capital e do estado. Sua primeira fase ocorreu no fim de outubro do ano passado, no Complexo do Alemão, na zona norte, e terminou com 122 mortos — 117 suspeitos e cinco policiais —, sendo considerada a ação policial mais letal da história do país. Desde então, o balanço acumulado chega a 137 suspeitos mortos, 370 presos e cerca de 480 armas apreendidas, entre elas 190 fuzis.



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