Um professor de Libras, ex-presidente da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, e o marido dele foram condenados a penas que, somadas, ultrapassam 54 anos de prisão por crimes sexuais contra alunos surdos. A sentença foi proferida na terça-feira (29). Um dos réus recebeu 29 anos e 8 meses de reclusão, e o outro, 24 anos e 10 meses. Os nomes não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas.
Os dois respondiam por estupro de vulnerável. Segundo a investigação, ao menos cinco vítimas foram identificadas, todas crianças ou adolescentes surdos na época dos fatos, e quatro delas prestaram depoimento. Os abusos teriam se estendido por mais de uma década e ocorrido em sala de aula, em banheiros e dentro de um carro, tanto em ambientes de apoio educacional quanto fora deles. Uma das vítimas, hoje com 28 anos, relatou que as agressões começaram quando ela ainda não tinha 14 anos.
De acordo com o inquérito, os condenados ofereciam dinheiro em troca de atos sexuais e recorriam a intimidação e chantagem emocional para garantir o silêncio das vítimas. O caso foi apurado pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Jaraguá do Sul, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina. A dupla foi presa em abril deste ano.
A decisão ainda cabe recurso, mas os dois seguem presos em regime fechado. Em nota, a atual direção da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul afirmou repudiar qualquer tipo de abuso.
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