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"Sensação de morte": ex-mulher de policial revela bastidores de 10 anos de tortura psicológica e física

"Sensação de morte": ex-mulher de policial revela bastidores de 10 anos de tortura psicológica e física

Manaus/AM - Após a prisão do policial aposentado Divoney Perosa de Souza, ocorrida na última quinta-feira (9), novos e estarrecedores detalhes sobre a rotina de abusos vivida por sua ex-esposa vieram à tona. Em um depoimento corajoso para a imprensa, a mulher de 27 anos detalhou como o que começou como um relacionamento na adolescência se transformou em um cárcere emocional e físico que durou uma década.

A vítima relatou que a violência não era apenas física, mas uma tentativa constante de anulação. Entre roupas rasgadas e aparelhos celulares quebrados, ela revelou que o silêncio foi sua única defesa por muito tempo.

"Eu ficava calada, só chorava. Ficava em silêncio por vergonha", desabafou a mulher, que hoje tenta reconstruir a própria identidade após passar toda a juventude sob o controle do agressor.

Um dos momentos mais fortes do relato descreve a primeira agressão, ocorrida quando ela ainda era muito jovem. Por ter saído para comer um lanche sem avisar, foi espancada por Divoney em plena via pública, enquanto ele utilizava uma viatura policial.

A vítima descreveu o impacto devastador do episódio: "Quando eu acordei, parecia que eu tinha morrido. Foi uma sensação de morte. Eu não tinha forças para levantar da cama."

Ela admitiu que, com o passar do tempo, as agressões tornaram-se tão frequentes que ela acabou "acostumando" com a rotina de dor.

Mesmo após conseguir sair de casa, em setembro de 2025, a perseguição ganhou contornos de criatividade perversa. Bloqueado em redes sociais e aplicativos de mensagem, o policial aposentado passou a utilizar transferências via Pix para enviar recados e manter a ex-mulher sob vigilância constante.

A delegada Patrícia Leão, que acompanha o caso, reforça que Perosa possui um perfil de "perseguidor nato", utilizando táticas de isolamento para impedir que a vítima estudasse ou trabalhasse, garantindo que ela permanecesse financeiramente dependente.

O sequestro recente, filmado pela irmã da vítima, foi o estopim para que a justiça fosse finalmente feita. Para a mulher, a prisão de Divoney — que já responde por extorsão e outros casos de violência — representa o fim de um plano de domínio.

Divoney segue à disposição da Justiça, enquanto a defesa contesta a validade das provas em vídeo e nega o descumprimento das medidas protetivas.

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