O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, disse que não vê risco ao suprimento de energia durante as eleições, mas alertou para a necessidade de medidas de prevenção. Com o chamado super El Niño, as distribuidoras de energia elétrica estão reforçando os planos de contingência para lidar com eventuais eventos extremos do ponto de vista climático.
Pela previsão do setor, será o maior El Niño da história, com 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. "Estamos fazendo o possível, sob o ponto de vista de prevenção, preparação e comunicação a todas as instituições possíveis", declarou o diretor-geral.
A Aneel comunicou ao Tribunal Superior do Eleitoral (TSE) que o setor está em cenário de contingenciamento. "Não vejo risco para eleições. Claro, temos ainda um mês e meio", complementou em conversa com jornalistas após a abertura do evento "Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro", realizado nesta quinta-feira na sede da Aneel, com agentes do setor.
Foi informado ainda que os geradores de energia dos sistemas isolados do Norte (não conectados ao sistema elétrico) deverão receber antecipadamente os recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para que ocorra estoque de combustível na região. O motivo central é a possibilidade de dificuldade de navegação com a previsão de um super El Niño. Já houve sorteio extraordinário de um processo para tratar do tema. São valores referentes aos meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro.
Há aproximadamente um ano, a Agência apresentou o chamado Radar - sistema considerado pioneiro para o acompanhamento, em tempo real, das interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o país. Há dados informativos de 5.542 municípios, incluindo um histórico de ocorrências.
As autoridades do setor elétrico estão olhando há meses para os efeitos esperados com o fenômeno do El Niño. Se concretizado, este cenário climático prevê menor disponibilidade de energia produzida na região Norte do País e aumenta a carga do sistema elétrico devido à elevação das temperaturas e ao consequente crescimento do consumo de energia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, liberou em julho a antecipação do início do suprimento de cinco contratos vencedores do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026). Isso garantirá 1,8 gigawatt (GW) adicionais ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro, segundo as informações apresentadas.



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