O governo de Javier Milei voltou a afirmar que o Brasil financiou uma campanha contra a Argentina nas redes sociais e prometeu apresentar, mais adiante, as fontes que sustentariam a denúncia. O porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, disse nesta terça-feira que a gestão reuniu informações extraídas das próprias redes e que os dados relativos ao Brasil e a outros países citados serão divulgados posteriormente. Nenhuma evidência pública foi apresentada até agora.
A acusação começou em 25 de julho, quando Milei esteve em São Paulo para um evento político e disse que setores que chamou de progressistas e socialistas coordenavam ataques ao seu país a partir do território brasileiro. No dia seguinte, ampliou a versão ao afirmar que cerca de um quarto do dinheiro usado na suposta operação teria saído do governo brasileiro, citando também o México e o Partido Democrata dos Estados Unidos. Uma checagem da AFP apontou que o presidente argentino se apoiou em leitura equivocada de um estudo da Monitor Digital divulgado em 24 de julho.
O Itamaraty nega o financiamento. O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil não banca campanhas contra o vizinho e condicionou a normalização das relações ao fim das agressões vindas de Buenos Aires. Em agosto, o governo brasileiro rebaixou sua representação diplomática no país, trocando o embaixador por um encarregado de negócios, após ataques públicos de Milei a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes.
O desgaste também repercute internamente na Argentina. Pesquisa da consultoria Zuban Córdoba divulgada nesta semana mostrou que 70,5% dos entrevistados desaprovam os ataques de Milei ao presidente brasileiro, contra 20% que os aprovam, e que 88,9% consideram o Brasil importante para a economia argentina. Enquanto as supostas fontes não vêm a público, a denúncia segue no campo da alegação, sem comprovação.



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