Hercy Filho aproveitou a interinidade no comando da pasta para requisitar no dia 9 de setembro uma aeronave da FAB com destino a Dainópolis, no interior do Tocantins, para participar de uma audiência pública na Câmara Municipal.
Ele foi prefeito da cidade de 1993 a 1996 e está cotado para concorrer nas eleições deste ano.
Na época do voo da FAB, ele ocupava temporariamente o posto de ministro do Turismo porque o secretário-executivo (número 2 da pasta), Daniel Diniz Nepomuceno, acompanhava Álvaro Antônio em uma viagem à Rússia. O chefe dele, Álvaro Antônio, foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público pela montagem de um esquema de candidaturas de laranjas em Minas Gerais.
A regra diz que ministros de Estado e demais ocupantes de cargo público com prerrogativas de ministro, comandantes das Forças Armadas e o chefe do Estado-Maior do Conjunto das Forças Armadas podem requisitar voos da FAB em três hipóteses: motivos de segurança, emergência médica e viagens a serviço.
A audiência pública de Hercy em Dainópolis, seu reduto, serviu para discutir o potencial da região sudeste no Tocantins, o turismo nacional e o "uso múltiplo do lago do Distrito Irrigado Manuel Alves para a pesca esportiva e para a movimentação econômica local".
"Todos têm a ganhar com um turismo mais forte na região", disse Hercy no evento, registrado no portal oficial do Turismo no governo federal.
Dainópolis fica a 636 km de Brasília e tem uma população de 11 mil habitantes.
O chefe de gabinete está no Ministério do Turismo desde o segundo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Procurada, a assessoria do Ministério do Turismo afirmou que não iria se manifestar sobre o voo de Hercy.
O uso exclusivo de uma avião da FAB para viagem no exterior levou nesta semana o presidente Jair Bolsonaro a destituir, nomear em outro cargo e depois afastar de vez do governo federal Vicente Santini, da Casa Civil.
Assim como Hercy no Turismo, Santini, ao pedir o avião do governo, ocupava a função de ministro interino. O titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está de férias.
Amigo dos filhos de Bolsonaro, Santini requisitou um jato para ele e duas assessoras irem na semana passada para a Índia, onde se encontrava presente a comitiva presidencial em visita oficial de Bolsonaro.
Bolsonaro classificou a atitude do secretário como imoral, por não usar voo comercial, e decidiu destituí-lo do cargo. "O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de aviões lá comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para Ásia toda de comercial, classe econômica, e não entendi", disse.
Nesta quarta, o subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, Lucas Furtado, representou contra o ex-secretário-executivo e agora assessor especial.
Reportagem da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (30) revelou que seis ministros do governo do presidente Bolsonaro utilizaram voos exclusivos da FAB com poucos acompanhantes para cumprir agendas no exterior.
A reportagem mapeou, em dados divulgados pela FAB, os deslocamentos feitos por autoridades federais no primeiro ano de governo e constatou 12 missões ao exterior solicitadas para uso exclusivo do ministro para "viagens a serviço". Em todas, não mais do que cinco passageiros foram a bordo.
Com cinco missões, Ernesto Araújo (Relações Exteriores) foi o que mais solicitou aeronave dentro dessas condições. O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) utilizou os serviços da FAB em três oportunidades fora do Brasil.
Na lista de ministros estão ainda Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Paulo Guedes (Economia). Cada um fez um voo.
