Início Política Cascavel afirma que sua importância no Ministério foi aumentada e que era apenas um 'facilitador'
Política

Cascavel afirma que sua importância no Ministério foi aumentada e que era apenas um 'facilitador'

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Chamado de "ministro de fato" por alguns interlocutores quando permaneceu no Ministério da Saúde, o empresário Airton Soligo afirma que não teve a "importância" na pasta que foi divulgada pela imprensa e por secretários estaduais e municipais. Em depoimento à CPI da Covid, disse que era apenas um "facilitador".

O empresário, chamado de Airton Cascavel, ainda afirma que foi chamado para atuar o ministério na articulação política, uma vez que os militares que foram nomeados não tinham "traquejo político do trato".

"Quando falam da vacina, eu chego a dizer o seguinte: se eu tivesse esse poder de decisão das pessoas [que me atribuem], fica a imprensa dizendo da importância [que eu tinha], eu teria comprado [as vacinas]", disse.

"Mesmo não podendo comprar, como nenhuma lei permitia, eu teria comprado a Pfizer, eu teria comprado a Janssen. Se dependesse de mim, se eu tivesse esse poder, eu estaria aqui hoje respondendo por que tinha comprado", completou.

Cascavel ainda afirmou que foi chamado para fazer a interlocução política, facilitando o diálogo com estados e municípios. Disse em vários momentos de seu depoimento que era apenas um "facilitador"

"Eu quero diminuir essa importância que as pessoas me atribuem nessa relação com estados, com municípios [...]. Eu nunca vi um secretário municipal ou estadual me condenar por qualquer atitude. Pelo contrário, diziam que eu ajudava a facilitar, ajudava a facilitar a burocracia pública, para que as coisas acontecessem. Foi esta a minha função, a de fazer acontecer", completou.

Cascavel negou, por exemplo, que tivesse participado da negociação de vacinas. Ele afirma que seu papel, em alguns momentos, foi de pacificador. Lembra que atuou para diminuir a tensão existente entre o governo federal e o estado de São Paulo, o que possibilitou o anúncio do contrato para a aquisição da vacina Coronavac. O acordo depois foi suspenso, por ordem do presidente Jair Bolsonaro. O então ministro Eduardo Pazuello disse na ocasião a célebre frase "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

O ex-assessor do Ministério da Saúde Airton Soligo foi questionado pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre quando havia começado a negociação das vacinas.

Ele respondeu que não poderia afirmar, mas acredita que foi entre junho e julho do ano passado com a Fiocruz. Ele ressaltou que não atuou em nenhuma negociação.

ATUAÇÃO INFORMAL

Em depoimento à CPI da Covid, o empresário Airton Soligo, conhecido como Airton Cascavel, afirmou que atuou de maneira informal no Ministério da Saúde, sem ser efetivamente nomeado, pois a pandemia do novo coronavírus atrasou o procedimento.

Um dos pontos polêmicos envolvendo sua atuação, e que inclusive é alvo de investigação no Ministério Público, é o fato de Cascavel ter atuado no enfrentamento à pandemia sem nenhum vínculo com a pasta. Ele era apontado como braço-direito do ex-ministro Eduardo Pazuello e chegou a ser definido por interlocutores como "ministro de fato".

Ele disse que se aproximou do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante a Operação Acolhida, projeto do governo brasileiro de apoio a imigrantes venezuelanos, em Roraima.

Durante esse período de informalidade, ele atuou na interlocução com estados e municípios, negociando o envio de insumos e equipamentos, em alguns dos momentos mais delicados da pandemia. Cascavel disse que as pessoas exageram o seu papel naquele momento, em relação à interlocução. Afirmou que apenas ajudou na desburocratização, em um momento de grande necessidade.

"Não assinei nada nesse momento. Eu era o interlocutor, mas era o momento para isso [ atuar, por conta da gravidade da pandemia", afirmou.

"Se tiver que responder pela minha atuação, eu tenho a dizer que não fui omisso. Eu fiz a minha parte", disse.

Cascavel afirmou que sua nomeação atrasou porque era necessária a desvinculação de sua empresa, mas os cartórios estavam fechados por causa da pandemia. Ele foi inicialmente convidado a atuar nos primeiros dias de maio e sua nomeação apenas aconteceu em 24 de junho.

"Vim pensando em ficar 10 dias naquela condição [ajudar na interlocução política]. Mas fui convidado pelo ministro [Nelson] Teich para ser seu assessor especial. Dois, três dias depois, o ministro Teich pediu demissão. Aquele pedido já não existia mais", afirmou.

Ele disse que voltou a ser convidado efetivamente pelo ministro seguinte, Pazuello, quando houve o problema com a falta de documentação.

"Nos meus documentos, quando entreguei, faltava a desvinculação da pequena empresa que tenho", disse, acrescentando o problema de os cartórios estarem fechado.

Em uma forma de tentar se desvincular politicamente do governo, o empresário disse que o melhor ministro da Saúde, em sua opinião, foi o atual senador José Serra (PSDB-SP).

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) questionou o fato de a Casa Civil ter inicialmente apresentado resistência ao seu nome, por conta de processos que ele responderia. Cascavel respondeu afirmando que eram processos eleitorais apenas e que ele não tem condenações.

Obras de drenagem mantêm interdição de rua no Centro neste domingo
Portal do Holanda Vídeo
Amazonas
Portal do Holanda
Obras de drenagem mantêm interdição de rua no Centro neste domingo
AGORA
portaldoholanda.com.br 1 de 12
1 / 12 Ler

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!