O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou, por 10 votos a 5, o parecer preliminar que admite a representação contra a deputada Erika Hilton (Psol-SP) por suposta quebra de decoro. Com a decisão, o processo segue tramitando no colegiado e pode chegar, no limite, à perda do mandato. A parlamentar tem dez dias para apresentar defesa.
A votação não representa uma decisão sobre a cassação. Nesta fase, os deputados analisaram apenas se a representação reúne condições para prosseguir. Uma eventual punição ainda depende do julgamento do mérito no conselho e, se aplicada a pena máxima, de votação no plenário da Câmara.
O pedido foi apresentado pelo Partido Missão por causa de uma publicação da deputada na rede social X, em 11 de março, horas depois de ela ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A legenda sustenta que as expressões usadas no texto atacaram mulheres cisgênero e configuraram desumanização. Relator do caso, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) apontou indícios de autoria e materialidade e avaliou que a imunidade parlamentar não barra a apuração de eventual abuso no uso das palavras.
A defesa pediu o arquivamento, alegando proteção do artigo 53 da Constituição, e sustentou que as expressões se dirigiam aos críticos da eleição para a comissão, não a mulheres cisgênero. Os advogados também tentaram afastar o relator por suspeição, lembrando que ele apresentou, cinco dias após a eleição, projeto de resolução restringindo o cargo a deputadas do sexo feminino. O pedido não impediu a votação. Erika Hilton classificou o processo como perseguição de gênero e tentativa de deslegitimá-la politicamente.



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