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Deputados pedem investigação de listas de boicote e agressões em SC: Não estamos no nazismo

Estadão

Parlamentares de esquerda de Santa Catarina estão se mobilizando para cobrar investigações sobre listas de boicote a comerciantes e profissionais apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de denúncias de agressões físicas contra eleitores. Os episódios ocorrem em Santa Catarina, reduto bolsonarista na Região Sul, e motivaram pedidos de apuração ao Ministério Público e a órgãos de segurança pública.

O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), líder da bancada do PT na Câmara, em nota publicada nas redes sociais, pediu nesta quarta-feira, 28, a responsabilização dos envolvidos nos episódios de violência política registrados após a eleição.

"Em Florianópolis, chamou a atenção o fato de uma viatura da Polícia Militar invadir propositalmente a pista contrária e atingir o jovem motociclista Pedro, que está internado no hospital, passando por cirurgias, após sofrer fratura exposta na perna por conta do ocorrido. É necessário que se apure o ocorrido para que as medidas cabíveis sejam tomadas", afirmou Uczai.

Uczai também orientou trabalhadores que tenham seus empregos ameaçados em razão das listas de boicote a procurar o Ministério Público do Trabalho (MPT). "O assédio eleitoral continua sendo crime, mesmo após o final do pleito", afirmou.

O deputado estadual Fabiano da Luz (PT-SC), presidente estadual do PT, afirmou que solicitou ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e ao Ministério Público do Trabalho a investigação das listas de boicote compartilhadas nas redes sociais contra comerciantes, profissionais liberais e empresários identificados como apoiadores de Lula.

"Não estamos na época do nazismo", declarou o parlamentar ao criticar a exposição de pessoas por suas posições políticas.

O deputado estadual Marquito (Psol-SC) também manifestou solidariedade aos proprietários de estabelecimentos incluídos nas listas e afirmou que acompanha os casos no Estado. "Reforçamos a importância de denunciar qualquer violência e registrar boletim de ocorrência", escreveu nas redes sociais nesta quarta-feira.

Marquito também atua junto ao Ministério Público e à Polícia Militar para cobrar a apuração da conduta dos policiais militares envolvidos no atropelamento do motociclista Pedro Henrique Ely, na noite de domingo, 25, no bairro Ingleses, em Florianópolis. O parlamentar é autor de um projeto de lei que prevê a utilização de câmeras corporais em Santa Catarina.

O deputado também compartilhou o relato de outro manifestante que afirmou ter sido intimidado por agentes da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), em Florianópolis, enquanto segurava um cartaz. Segundo o homem, os policiais determinaram que ele deixasse a rua e um dos agentes lhe deu um tapa na cabeça. O episódio foi relatado nas redes sociais na terça-feira, 27, e ainda depende de apuração pelas autoridades.

A deputada federal eleita Giovana Mondardo (PCdoB-SC) também se manifestou contra os boicotes e colocou sua equipe jurídica à disposição das pessoas que tiveram os nomes incluídos nas listas, para prestar orientação e auxiliar na adoção de medidas legais.

Listas de boicote circulam em Santa Catarina

As listas passaram a circular em grupos de WhatsApp após a confirmação da reeleição de Lula e incluem estabelecimentos de municípios como Garopaba, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça, na Grande Florianópolis. Os materiais identificam supostos "empresários e profissionais de esquerda" e incentivam que consumidores deixem de contratar seus serviços ou frequentar seus estabelecimentos.

Um dos atingidos, o advogado Lucas Silvy, anunciou que apresentaria denúncia ao MPSC para apurar a autoria e o compartilhamento das mensagens. "Isso é perseguição", afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.

Em Angelina, empresários também contestaram publicamente a inclusão de seus estabelecimentos nas listas e classificaram como falsa a associação de seus nomes ao apoio a Lula. "Até quando o fanatismo político vai prejudicar pessoas e empresas?", questionaram em manifestação nas redes sociais.

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