O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou nesta terça-feira, 1, o que chamou de "anestesia" do Senado diante das revelações das relações entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio defendeu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), autorize, de ofício, a abertura de um processo de impeachment contra Moraes.
"É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder deste País suspeitas de vários crimes, isso não seja o assunto principal. É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos pelo Legislativo. Em especial, por parte desta Casa", declarou Flávio, durante discurso no plenário da Casa.
Ele disse haver indícios de que Moraes atuou como "advogado de Vorcaro" e que teria cometido crimes como obstrução, interferência de investigação, venda de proteção e formação de quadrilha. "Até quando este Senado vai tapar os olhos como se nada estivesse acontecendo? Está tudo normal. Está tudo normal no nosso País", ironizou o senador.
Flávio disse que "não dá para fingir que Moraes não cometeu crime de responsabilidade" e que o ministro "precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado".
O parlamentar afirmou ser necessário fazer uma distinção entre o STF e seus integrantes. "Devemos defender a instituição do STF, e não uma pessoa."
Flávio também comparou a situação de Moraes à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que o ministro deveria ter direito de se defender. "Vamos dar a Moraes o que ele não deu a Bolsonaro, o direito de se explicar", declarou.
Em seu discurso, Flávio falou também que o Executivo teria "aberto mão de governar com o Legislativo" para fazer "conluio com alguns" ministros da Suprema Corte.
Ao abordar as emendas parlamentares, o candidato afirmou que os congressistas são cobrados pela população a destinar recursos aos Estados e municípios e acusou o ministro do STF Flávio Dino de utilizar o tema como instrumento de pressão política.
O senador também criticou o que chamou de "Estado policialesco" e afirmou que investigações estariam sendo utilizadas para ameaçar parlamentares e partidos políticos. "Vamos ficar aceitando esse Estado policialesco de ameaça, de interferência na política até quando?", questionou.



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