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Justiça do Ceará manda soltar 43 PMs detidos em motim

FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) - A Justiça do Ceará determinou nesta segunda-feira (2) a soltura de 46 policiais militares que estavam presos sob suspeita de participação no motim que paralisou parte da PM cearense por 13 dias.

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A decisão foi do juiz Roberto Soares Coutinho, que, na quinta-feira (27), havia convertido a prisão em flagrante de todos eles em prisão preventiva. 

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Segundo o juiz, o acordo feito entre os policiais e o estado tornou desnecessária a prisão, que teve como fundamento a garantia da ordem pública e a necessidade de manter a hierarquia e a disciplina. 

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Três dos PMs estavam presos desde 18 de fevereiro, primeiro dia de paralisação, por esvaziarem pneus de viaturas. Os outros 43 foram detidos a partir do dia 22 de fevereiro por não aparecerem para trabalhar em operação especial de Carnaval no interior do estado. Eles foram considerados desertores.

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A decisão ocorre um dia depois de o motim terminar. O acordo assinado entre os policiais e uma comissão especial criada para negociar o fim da paralisação não contemplou a anistia geral pedida pelos amotinados. Segundo o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), todos terão serão investigados sem perseguição e, se considerados culpados, responderão pelos seus atos.

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A soltura não significa que os policiais deixarão de responder por possível participação na paralisação. Os casos serão analisados separadamente, e os PMs podem vir a ser expulsos da corporação ou ser presos novamente.

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Outros 230 policiais foram afastados por 120 dias enquanto são investigados -eles tiveram que devolver armas e distintivos e ficarão fora da folha salarial pelo período.

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Ficou acertado, entretanto, que nenhum PM será transferido durante seis meses após a assinatura do acordo. Havia medo entre os manifestantes que houvesse uma transferência em massa para o interior do estado.

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Também foi acordado que todos os casos de policiais investigados terão a supervisão de uma comissão externa formada por representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), da Defensoria Pública, do Ministério Público do Ceará e do Ministério Público Federal.

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O valor de aumento salarial oferecido pelo estado, estopim da paralisação, foi mantido, mas o governo aceitou rediscutir como será distribuído entre as patentes o total que pretende gastar (R$ 495 milhões).

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A oferta prevê reajuste para um soldado de R$ 3.475 para R$ 4.500, parcelado em três vezes (pagamentos em março de 2020, março de 2021 e março de 2022). O projeto de lei já está em tramitação na Assembleia Legislativa.

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Os homicídios explodiram no Ceará durante os 13 dias de motim, que teve início na tarde de 18 de fevereiro.

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De 19 a 27 de fevereiro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, foram 241 assassinatos no estado, uma média de 26,7 por dia. De 1º a 18 de fevereiro houve 164 homicídios, média de pouco mais de nove, número semelhante a de janeiro de 2020, que teve 261 assassinatos no mês. 

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Ainda com números a consolidar, fevereiro acumulou 405 homicídios entre os dias 1º e 27, sendo o mês mais violento no estado desde março de 2018, quando 414 pessoas foram assassinadas.

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No dia 20, os protestos tiveram repercussão nacional depois que o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) levou dois tiros ao tentar invadir com uma retroescavadeira o quartel tomado em Sobral (270 km de Fortaleza), sua base eleitoral. Ele passa bem.

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