Os dois principais nomes da corrida presidencial de 2026 participaram de agendas com verniz eleitoral, neste sábado, 8, mirando votos do eleitorado feminino. O período oficial de campanha, quando os candidatos poderão pedir votos, começa em 16 de agosto.
Em Taboão da Serra (na Grande SP), em um evento do MTST, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o "homem precisa aprender a trabalhar na cozinha para ajudar a mulher".
O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse, em Itapetininga (SP), que pretende criar uma "central da mulher" voltada ao atendimento e à proteção de vítimas de violência e que vai indicar mulheres para o Supremo Tribunal Federal (STF), se eleito.
A agenda de Flávio no interior de São Paulo é o primeiro grande evento desde que ele anunciou, na quarta-feira, 5, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de sua chapa. A escolha se deu de última hora, depois de tentativas frustradas de atrair uma mulher para o palanque.
A agenda do senador foi organizada pela deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), ex-prefeita de Itapetininga, e anunciada como "Café Entre Elas".
"O próximo presidente indica quatro ministros do STF. E vou colocar lá homens e mulheres", disse.
As pesquisas de intenções de voto mostram Flávio Bolsonaro com menos vantagem do que Lula junto às eleitoras. A rejeição elevada no segmento é uma preocupação constante da campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os problemas escalaram quando ele recebeu críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que havia divulgado vídeo afirmando ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado.
Apesar das trocas de desculpas, Flávio ainda enfrenta resistências até na ala feminina do seu partido. E no vídeo enviado por Michelle para o evento de lançamento da candidatura dele à Presidência, ela evitou elogiar e se comprometer com a eleição dele. Disse apenas que pediu a Deus para que abençoe a campanha dele.
Já Lula participou de evento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que comemora 30 anos de existência, e disse que estava presente na condição de presidente da República, em respeito à legislação.
O petista dedicou parte do discurso ao eleitorado feminino. Ele disse que o "homem precisa aprender a trabalhar na cozinha para ajudar a mulher" e que elas aprenderam o "caminho do mercado de trabalho, porque ninguém gosta de ficar em casa limpando o chão".
"A luta pela sobrevivência, pelo respeito e pela dignidade da mulher não é só da mulher, é do homem, porque o agressor é o homem", disse.
O presidente também fez críticas à Faria Lima, que simboliza o centro financeiro do País, e à insistência do setor por ajustes fiscais.
Ele disse que "nenhum banqueiro da Faria Lima ou ruralista" sabe o que é enchente e acordar com "rato tentando nadar em casa".
Segundo ele, quem define a taxa de juros e defende o ajuste fiscal não sabe "como vive o povo".
"É preciso passar por isso para saber o que é prioridade e cuidar do povo mais necessitado desse País. As pessoas conhecem por literatura, mas não viveram isso", afirmou.
No evento, a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, discursou antes de Lula e voltou a defender o banimento da plataforma Discord. Ela disse que a empresa "não respeita" o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital e precisa ser "banida do país".
"Vou novamente reiterar a minha luta para que essa plataforma seja banida do Brasil. Só assim a gente pode garantir a segurança de crianças e mulheres, o que acontece no submundo dessa plataforma é absurdo", defendeu.
Janja iniciou uma cruzada contra a plataforma após a investigação de um episódio no qual uma adolescente de 13 anos teria sido induzida a tirar a própria vida por outros presentes.



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