3 Set (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira uma defesa das instituições e pediu investigações envolvendo o banco Master sem qualquer "blindagem", chamando à responsabilidade os chefes do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República para que garantam a integridade das apurações, argumentando que o país não pode ficar refém de "vazamentos seletivos".
Em um vídeo divulgado nesta noite, Lula também reconheceu a necessidade de reformas nos sistemas judiciário e político.
"O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos Estados e municípios", diz Lula no vídeo. "Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos."
"A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer", defendeu.
A fala de Lula foi gravada depois da divulgação pelo ministro André Mendonça, na terça-feira, de relatório da Polícia Federal, produzido a pedido dele, implicando o colega de toga Alexandre de Moraes e outras autoridades em uma série de condutas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e pessoas próximas a ele.
A intenção da equipe de Lula, na ocasião da gravação do vídeo, era posicioná-lo institucionalmente e distanciá-lo da crise que se abrira e não abarcou o mais recente capítulo do imbróglio no STF -- a decisão de Moraes de enviar nesta quinta-feira ao presidente da corte, Edson Fachin, um pedido para investigar Mendonça.
"Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações", afirmou Lula, no vídeo.
(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Maria Carolina MarcelloEdição de Alexandre Caverni)




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