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Lula, que pede voto secreto no STF, acumula exemplos de falta de transparência

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT), que nesta terça-feira (5) defendeu que os votos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) sejam sigilosos, tem acumulado exemplos de falta de transparência em seu novo governo.

Antes de voltar à Presidência, Lula foi um forte crítico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suas seguidas interferências em outros Poderes e seus seguidos decretos de sigilo de diferentes temas.

Agora é ele que derrapa quando o assunto é transparência.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, apesar das seguidas declarações de que só faria negociações "à luz do dia", o presidente Lula passou a adotar algumas táticas para esconder reuniões em que trata da reforma ministerial, em particular com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Esses encontros têm ocorrido à noite, fora da agenda dos dois chefes de Poderes, que chegam a dispensar seus comboios de segurança e a usar carros "à paisana" para não serem notados.

A atitude lembra a do ex-presidente Bolsonaro, que enviava comboios de vários carros a determinados locais, sem que estivesse presente, para despistar a imprensa. Bolsonaro era criticado por petistas pela falta de transparência nas agendas, o que agora ocorre também sob Lula.

Os procedimentos adotados pelo Palácio do Planalto contrariam declarações do presidente Lula, que sempre afirmou que faria todas as negociações com transparência e que não queria "conversa secreta".

Outro exemplo é a Lei de Acesso à Informação. Em maio passado, Lula disse que a regra foi "estuprada" nos últimos tempos, em uma crítica a Bolsonaro, embora não o tenha citado no seu discurso. Naquela fala, comparou o desrespeito à Lei de Acesso à Informação com a violência sexual contra uma criança.

Apesar de cobrar transparência da gestão anterior, o governo Lula já impôs neste ano sigilos nos registros de visitantes do Palácio da Alvorada, sob o argumento de que a publicização pode pôr em risco a sua segurança e a de sua família. A decisão pelo sigilo foi do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), mas a CGU (Controladoria-Geral da União) ainda analisa recurso para abrir os dados.

Outros sigilos foram impostos sobre a íntegra das imagens dos atos de vandalismo registradas pelo sistema de câmeras do Palácio do Planalto (revogado depois pelo ministro do STF Alexandre de Moraes) e também na lista de convidados para a recepção no Itamaraty após a posse do petista, no dia 1º de janeiro. A medida gerou desgaste, e a lista foi posteriormente divulgada.

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