Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano foi morto durante uma operação policial. O ex-capitão foi encontrado no município de Esplanada (BA) e, segundo a pasta, quando os policiais chegaram ao local, o ex-PM teria disparado e acabou ferido na troca de tiros.
Moro falou sobre o caso na comissão especial da Câmara sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) que determina o cumprimento da pena após condenação em segunda instância em sessão que durou cerca de quatro horas.
Ele foi questionado sobre a ausência do nome de Adriano da lista dos criminosos mais procurados do Brasil divulgada pelo Ministério da Justiça há duas semanas. À época, a pasta justificou que Adriano não respondia a acusações interestaduais, mas a relação incluía outros dois milicianos do Rio.
"Essa pessoa específica (Adriano) não entrou e se vê que nem sequer era necessário porque essa pessoa foi encontrada poucos dias depois pela polícia do estado da Bahia. E aí, lamentavelmente, nas circunstâncias que vão ser esclarecidas pela polícia daquele estado, acabou sendo vitimado", disse.
"Uma lista dos mais procurados não é uma lista de todos os procurados e havia razões específicas para essa pessoa não ser incluída", continuou Moro, sem dar detalhes sobre os motivos pelos quais ele não entrou na relação.
Além de ser acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio, o ex-capitão também era suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado. Adriano também tinha ligações com a família Bolsonaro.
Ele teve duas parentes nomeadas no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro e foi condecorado pelo parlamentar quando ele era deputado estadual.
Adriano estava foragido havia mais de um ano. O advogado dele, Paulo Catta Preta, afirma que o ex-capitão dizia temer ser alvo de uma "queima de arquivo".
Ao final da audiência, Moro foi alvo de críticas do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que o acusou de ser "capanga de milícias" e da "família Bolsonaro".
O parlamentar insinuou que o ministro teria interferido nos trabalhos da Polícia Federal, que isentou Flávio da suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em inquérito eleitoral que investiga as negociações de imóveis feitas pelo filho mais velho do presidente e sua declaração de bens na eleição de 2018.
O resultado da PF contraria apuração da promotoria do Rio, que investiga Flavio por esses crimes no bojo das investigações do esquema de rachadinha -em que funcionários dão parte de seu salário ao parlamentar- no seu gabinete na Assembleia do Rio.
Moro respondeu a Braga chamando-o de "desqualificado para o exercício do cargo de deputado" e disse que "não há fato que possa ser invocado dizendo" que ele protegeu alguém.
Moro e Braga foram repreendidos pelo presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-SP), pelas ofensas, mas houve um princípio de tumulto no colegiado.
O deputado Delegado Éder Mauro (PSD-BA) saiu em defesa de Moro e bateu boca com Braga. Ambos precisaram ser contidos por seguranças.
Mais cedo, Moro disse que não se opõe à previsão de o cumprimento da pena após condenação em segunda instância valha para processos na esfera cível, desde que também se aplique a norma a casos criminais.
"Se houver maioria suficiente no Parlamento para aprovar (a regra) para os casos criminais e cíveis, sou favorável. Não podemos ter medo da Justiça", afirmou Moro.
O ministro disse, porém, que se não for possível aprovar a regra para casos cíveis, que ela seja aprovada ao menos para os criminais.
A proposta que está em análise pela Câmara leva o trânsito em julgado -momento em que não há mais chances de recurso- para a segunda instância, quando os casos passam a ser analisados por mais de juiz em um colegiado.
Para isso, a ideia dos deputados é acabar com a figura dos recursos extraordinários e especiais, que são impetrados ao STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ (Superior Tribunal de Justiça), respectivamente e os transforma em ações autônomas.
A regra é polêmica porque atinge os casos tributários e anteciparia, por exemplo, o pagamento de precatórios e dívidas pela União, estados e instituições financeiras quando condenados pela Justiça.
"Não importa a cor do gato, o importante é que pegue o rato", disse. "A minha ponderação é que ela (a regra do cumprimento da pena) é mais relevante para os casos criminais. Então, se não houver condições políticas de se aplicar a todos (os ramos do direito), que se aplique aos criminais."
Na audiência, o ministro defendeu que nos casos criminais, a lei valha para todos os processos em curso.
"Tem que valer para todos os casos pendentes, independentemente da fase que se encontram -deveria valer para todo mundo- mas, claro, é um cálculo que deveria ser feito pelo Parlamento", afirmou.
Por essa tese, a regra seria aplicada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi solto em novembro do ano passado após o Supremo Tribunal Federal decidir que o cumprimento da pena não é obrigatório antes do trânsito em julgado. Lula passou 580 dias presos após ser condenado pelo TRF-4 no caso do tríplex de Guarujá.
Moro voltou a criticar a decisão do STF. "Acho que o Supremo errou na mudança da jurisprudência, com todo o respeito."
