As alterações nos locais de votação para o segundo turno das eleições de 2026 chegaram à zona norte de São Paulo, mais especificamente à Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa, no Horto Florestal. Ao todo, 4.649 eleitores da 256ª Zona Eleitoral do Tucuruvi tiveram de procurar outro endereço para exercer seu direito ao voto.
O TRE justificou que a mudança ocorreu porque o local ficou alagado devido às fortes chuvas e aos ventos, que causaram problemas estruturais no telhado da escola no primeiro turno. O novo endereço, contudo, não fica muito distante do local original de votação: o Recanto Nossa Senhora de Lourdes, na Vila Rosa, bairro vizinho. Apenas 700 metros separam uma escola da outra, percurso de cerca de dois minutos de carro ou aproximadamente sete minutos a pé.
O Estadão foi aos dois locais de votação para falar com os eleitores, entender o impacto e verificar se eles estavam sendo orientados sobre a mudança. Alguns elogiaram a troca, ficaram satisfeitos com a agilidade do voto e a estrutura da nova escola, enquanto outros reclamaram da mudança e disseram que o local antigo nunca teve problemas.
Emerson Maccari, de 52 anos, professor universitário, afirmou ao Estadão que já sabia da mudança. Mesmo assim, foi até a Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa para confirmar o novo endereço. "Vi a mudança no aplicativo e-Título. E para mim não mudou muito, ficou perto. Aqui eu viria a pé, lá eu vou de moto. Estive aqui na última eleição e vi que a sala molhou dentro, inclusive algumas urnas".
Maria Emília Martins, aposentada de 73 anos, sentiu um pouco mais o impacto da troca. "Ficou longe, porque minha casa era na frente da escola. Com essa mudança, vou demorar para chegar lá", disse. Ainda assim, ela disse fazer questão de ir votar "por um mundo melhor".
Já o eleitor Rodrigo Garcia Rodrigues, economista, estranhou o baixo movimento ao chegar ao local. À reportagem, Rodrigues afirmou que não soube da mudança: "Não fui avisado, não recebi nenhuma mensagem. Vou procurar saber onde tenho de votar. Até agora pela manhã, nem informação no e-Título eu encontrei. Eu vim de carro, mas quem vem a pé vai passar por um transtorno maior."
Segundo o que a reportagem verificou, havia duas vans escolares destinadas a transportar eleitores idosos e com mobilidade reduzida do local original de votação para o novo endereço.
Felipe Lima, de 50 anos, era um dos condutores responsáveis pelo transporte dos eleitores. "Devido ao incidente da chuva, houve a mudança e minha missão é levar as pessoas para lá. Se a pessoa quiser ir embora de lá, fica livre. Mas se quiser voltar para a Conselheiro Ruy Barbosa, a gente também traz de volta. Dá cinco minutos, pois a distância é de dois quarteirões", afirmou. Segundo ele, a mudança também ocorreu por causa de goteiras que resultaram em salas cheias d'água na Ruy Barbosa.
Outro eleitor, José Carlos Ferreira Eiras, comerciante de 64 anos que já atuou como mesário em algumas eleições, também aprovou o transporte gratuito entre as escolas. "Eu ia pegar um uber. Mas vi que tinha a van, que me trouxe aqui. Todos os motoristas muito educados, fiquei feliz. A van resolveu meu problema", contou.
O motorista de aplicativo Rodolfo Rosa, de 49 anos, soube da alteração pelos jornais, mas foi até o local para conferir. "vi o endereço, mas não vi necessidade da mudança. Eu voto aqui há mais de 25 anos. Na minha concepção, essa escola jamais seria mudada, justamente pela tradição", argumentou.
Paulo Sérgio Lima, de 71 anos, fez questão de sair às 6h de Itaquera, na zona leste de São Paulo, e encarar um trajeto de mais de uma hora e meia para votar. Ele, que vota na mesma escola desde os 18 anos, disse que não esperava a alteração: "Eu nasci e fui criado aqui. Conheço esse colégio desde que ele foi construído. Nunca tivemos problema nessa escola".
Na frente da escola, havia uma faixa informando a mudança do local de votação. Além disso, funcionários da Justiça Eleitoral e o próprio diretor do colégio ficaram na entrada para orientar os eleitores que ainda não sabiam da alteração.
A reportagem do Estadão percorreu de carro o trajeto entre as duas escolas. O deslocamento até o novo endereço levou apenas três minutos.
No Recanto Nossa Senhora de Lourdes, Miriam Oliveira dos Santos, doméstica que votava na Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa havia mais de 20 anos, elogiou a mudança: "aqui foi muito mais organizado. As sessões estão bem mais rápidas, lá no Ruy demorava demais. E não mudou muito do meu trajeto porque o ônibus que eu preciso pegar é o mesmo, andei só cinco minutos a mais. E eu fiquei sabendo antes pelas redes sociais e pela televisão, não pegou ninguém de surpresa", argumentou a eleitora.
O dançarino Alan Brasil também afirmou que a mudança tornou a votação mais rápida: ""aqui está mais vazio. Lá está sempre chovendo, a escola não tem estrutura."
Marcia de Assis Rodrigues, professora aposentada, sempre votou na Escola Estadual Conselheiro Ruy Barbosa, mas aprovou o novo local, o Recanto Nossa Senhora de Lourdes: "achei muito prático pelo transporte, organização, bem melhor do que na outra escola. Era muito desorganizado, e aqui tem muitas pessoas para me orientar. Foi bem mais rápido", finalizou.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), as alterações de zonas eleitorais que ocorreram no segundo turno foram devido a situações extraordinárias nos locais de votação, conforme previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os problemas citados estão emergências climáticas, falta de energia ou danos estruturais. A série histórica da Justiça Eleitoral registra que alterações de endereço também ocorreram em outras eleições presidenciais.
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