29 Mai (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com veemência nesta sexta-feira à decisão do governo dos Estados Unidos de declarar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, afirmando que o Brasil não aceita ser tratado como "moleque".
Em cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe, Lula afirmou que, se os EUA querem ajudar a combater o crime organizado, devem mandar ao Brasil criminosos brasileiros que vivem em solo norte-americano.
"Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos (criminosos) que estão lá nos Estados Unidos. Nós não aceitamos ser tratados como moleques, não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta", disse Lula.
"Eu estive três horas com o (presidente dos EUA Donald) Trump e entreguei quatro documentos para ele, um deles sobre combate ao crime organizado. O seu Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque estava preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato à eleição neste país e que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", acrescentou.
Na noite de quinta, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a designação de PCC e CV como organizações terroristas internacionais a partir de 5 de junho. O anúncio foi feito dias depois de Flávio Bolsonaro se reunir em Washington com Trump e com o próprio Rubio. Na ocasião, o senador disse que pediu a Trump que as duas facções fossem classificadas pelos EUA como terroristas.
(Por Eduardo Simões, em São Paulo; edição de Pedro Fonseca)




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