A Polícia Federal adiou o depoimento de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, que seria realizado nesta segunda-feira. O pedido de adiamento partiu da defesa do empresário.
As investigações apontam Lima como um dos principais interlocutores do senador Jaques Wagner nas apurações sobre a relação do petista com o Banco Master. Ele foi controlador do Banco Pleno e sócio de Vorcaro, fundador do Master, que está preso em Brasília.
Lima já foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, em junho, quando a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra ele e contra Wagner, que na época ocupava a liderança do governo no Senado. Em novembro do ano passado, Lima chegou a ser preso preventivamente em uma etapa anterior.
O Banco Central determinou a liquidação do Banco Pleno em fevereiro deste ano. Segundo a PF, Lima também participou de articulações para viabilizar a compra de carteiras do Master pelo Banco de Brasília.
Os documentos da investigação mostram 74 ligações entre Wagner e Lima, com o senador se referindo ao banqueiro pelo apelido "Guga". A PF suspeita que Wagner atuou politicamente em defesa de interesses do Master no Senado, como a ampliação do crédito consignado. Como possível contrapartida, o senador teria recebido um apartamento de 2,45 milhões de reais em Salvador e 3,5 milhões destinados a empresas de familiares.
A defesa de Lima afirmou que ele sempre atuou dentro da lei e está à disposição das autoridades para esclarecimentos. Wagner disse ter certeza de que provará sua inocência e que está focado nas eleições de outubro.
O caso Master tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça e já teve dez fases deflagradas pela Polícia Federal.




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