SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) criticou a resposta do governo Jair Bolsonaro à crise de saúde e econômica provocada pelo coronavírus. "A primeira providência diante de uma crise que se agrava é baixar a bola, atenuar a arrogância e chamar ao diálogo. E Bolsonaro está fazendo exatamente o oposto. Puxando briga, criando caso, inventando confusões onde não havia", afirmou Ciro nesta quinta (12). O ex-ministro participou de evento para anunciar aliança entre PDT e PSB nas eleições municipais deste ano. O encontro lançou a pré-candidatura de Márcio França (PSB) em São Paulo. Ciro lembrou a polêmica recente de Bolsonaro, que afirmou ter provas, entretanto sem apresentá-las, de que foi eleito em primeiro turno em 2018. "Imagina uma hora dessa o eleito pôr sob suspeita o processo eleitoral que o elegeu, só um negócio de doido pode explicar. É a tática irresponsável de desviar o assunto", completou Ciro. Ele também criticou a postura de Bolsonaro de minimizar o coronavírus. "O que se impõe é preocupação, mas precisamos ajudar o povo a enfrentar o problema. Não é com pânico ou com notícia subjetiva, de que é uma marolinha, como Bolsonaro falou." Na segunda-feira (9), o presidente havia afirmado que o coronavírus estava "superdimensionado". O governo confirmou nesta quinta que o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, testou positivo para o novo coronavírus e disse que o serviço médico do Palácio do Planalto está "adotando todas as medidas preventivas necessárias para preservar a saúde" de Bolsonaro. Também nesta quinta, após a escalada do coronavírus, a Bolsa brasileira passou duas vezes pelo circuit breaker, mecanismo que ajuda a deter perdas maiores dos investidores. Ciro afirmou ainda que, em relação à crise econômica, o governo está assustado e não sabe o que fazer. Ele pontuou que os problemas na economia do país são anteriores à escalada do vírus. "A Bolsa estar caindo no Brasil não é por conta do coronavírus. Quem tem experiência sabe que os fundamentos da economia brasileira estavam em pandarecos e havia uma exuberância irracional na Bolsa brasileira, vista inclusive pela fuga de capitais", afirmou. O ex-ministro também exaltou o SUS e as universidades brasileiras para conter o vírus no país.