Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 23 Mar (Reuters) - O governador do Paraná, Ratinho Junior, desistiu de concorrer à Presidência da República pelo PSD, em um movimento que pode enfraquecer as opções de candidatos da chamada terceira via em uma pré-campanha ao Palácio do Planalto já marcada pela forte e antecipada polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em comunicado à imprensa nesta segunda-feira, Ratinho Junior informou que vai continuar seu mandato no governo paranaense até dezembro deste ano e, dessa forma, deixará de participar da discussão interna do PSD para escolher seu candidato ao Planalto este ano.
"A decisão foi tomada na noite de domingo, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda", diz a nota.
Ratinho Junior, governador do Paraná no segundo mandato, aparecia ao lado dos também governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como pré-candidato do PSD ao Planalto.
Contudo, a desistência Ratinho Junior -- que disse que pretende voltar ao setor privado e presidir o grupo de comunicação da família -- ocorre no momento em que pesquisas de intenção de voto apontam uma queda das intenções de voto da chamada terceira via e um aumento dos votos em Flávio Bolsonaro.
Flávio foi indicado formalmente pelo ex-presidente como nome do seu grupo político ao Planalto, afastando inclusive especulações de que o nome ungido para enfrentar Lula poderia ser o governador de São Paulo e ex-ministro de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em um cenário na pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, Lula tinha 36% das intenções de voto, Flávio chegou a 33% e Ratinho Junior somava 7%. Em dezembro, os três registraram, respectivamente, 39%, 23% e 13%.
Os potenciais candidatos a eleições em 2026 têm até o dia 4 de abril deste ano para se desincompatibilizar de cargos que ocupam para concorrer a cargos eletivos, com exceção dos que buscam a reeleição -- nesse caso, eles não precisam deixar seus cargos.

