Concorrer ao Palácio Rio Negro ou a uma cadeira no Senado costuma ser coisa de quem tem patrimônio. Mas a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral mostra que, no Amazonas, três candidatos a cargos majoritários entraram na disputa de 2026 sem nada declarado. O professor Gilberto Vasconcelos, do PSTU, candidato ao governo do estado, aparece com R$ 0,00. O comerciante Dailson Corrêa, do DC, que disputa uma vaga no Senado, também. E Antonio Neto, igualmente do PSTU, candidato a primeiro suplente de senador, fecha o trio.
O contraste dentro das próprias disputas é o que salta aos olhos. Gilberto Vasconcelos concorre contra adversários que declaram R$ 118,4 milhões, no caso de Professora Maria do Carmo, R$ 4,28 milhões de Roberto Cidade, R$ 2,07 milhões de Omar Aziz e R$ 1,43 milhão de David Almeida. Na corrida ao Senado, Dailson Corrêa disputa com Eduardo Braga, que declara R$ 60,2 milhões, e Plínio Valério, com R$ 3,5 milhões. Curiosamente, o próprio suplente de Dailson, Isaías Amazonas, informou R$ 1,1 milhão em bens.
A chapa mais enxuta é a do PSTU. Além do candidato ao governo zerado, o partido lançou ao Senado o técnico em mecânica Evandro de Oliveira, cujo patrimônio declarado soma R$ 7 mil, referentes a uma motocicleta. O primeiro suplente da chapa não tem bens registrados. Já a candidata a vice-governadora da legenda, Juliana Frota, declarou R$ 854 mil.
Ampliando o recorte para os 128 candidatos amazonenses a governador, vice, senador, suplentes e deputado federal, 31 declararam patrimônio zero, o equivalente a 24,2%. Se forem incluídos os que declararam menos de R$ 20 mil, o grupo sobe para 45 candidatos, ou 35,2% do total. Entre os postulantes à Câmara, 28 dos 100 não têm bens registrados — grupo que reúne de advogados e médicos a uma empregada doméstica, um garçom, um pescador e um agricultor. Os dados foram atualizados em 10 de agosto e as candidaturas ainda aguardam julgamento da Justiça Eleitoral.



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