O influenciador argentino Fernando Cerimedo, que fez transmissões ao vivo, em 2022, com informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação do Brasil, foi preso nesta terça-feira, 18, no Aeroporto Internacional Viru Viru (VVI), a cerca de 17 km do centro de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele foi detido por suspeita de envolvimento em um ataque a tiros na segunda-feira, 17, contra a sua ex-mulher Nadia Beller, que permanece hospitalizada.
Cerimedo foi preso por agentes da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc), de acordo com o jornal El Deber . A defesa dele não foi localizada.
Ainda conforme o jornal, Nadia foi baleada três vezes, enquanto estava em um hotel perto do canal Isuto. As autoridades investigam o suposto envolvimento de Cerimedo no crime.
Investigação
Segundo o El Deber , os dois autores do crime foram flagrados por câmeras de vigilância da região, chegando ao local disfarçados de entregadores. Após o ataque armado, ambos abandonaram a motocicleta em que viajavam e fugiram para um local desconhecido.
De acordo com o jornal, informações preliminares indicam que Cerimedo estava prestes a embarcar em um voo para a Argentina quando foi interceptado pelos agentes da Força Especial de Combate ao Crime no terminal do aeroporto. Os agentes o levaram para a delegacia para prestar depoimento.
O argentino é um amigo de longa data de Eduardo Bolsonaro, que foi recebido por ele em Buenos Aires poucas semanas antes da votação em segundo turno das eleições presidenciais do Brasil de 2022 e da principal "live" que rendeu a Cerimedo o indiciamento por integrar o "Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral" do esquema golpista.
Ele também atuou como estrategista digital do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a campanha presidencial do país em 2023.
Em uma transmissão ao vivo no dia 4 de novembro de 2022, dias após o segundo turno, Cerimedo apresentou um documento apócrifo que constatava falsamente que as urnas tinham uma disparidade na distribuição dos votos: os modelos fabricados antes de 2020 não teriam sido auditados e davam mais votos para Lula na comparação com as urnas mais recentes, o que segundo o influenciador seria "estatisticamente impossível de justificar".
Um site de Cerimedo também publicou um texto que afirmava que a eleição brasileira havia sido roubada e citava "anomalias" nas urnas eletrônicas.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet decidiu não denunciar Cerimedo no inquérito do golpe. Ele afirma que, embora o influenciador tenha divulgado notícias falsas sobre as urnas eletrônicas, a Polícia Federal não conseguiu provar que o argentino sabia que elas não eram verdadeiras e faziam parte de um plano maior que pretendia dar golpe de Estado no Brasil após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 2022.



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