O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quarta-feira, 2, a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como revelou o Estadão , diálogos extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, mostram que o banqueiro e o ministro do STF conversaram sobre detalhes sensíveis da Operação Compliance Zero.
"Tem que abrir o processo de investigação", defendeu Tarcísio, afirmando que nenhuma autoridade está acima da lei. Segundo ele, a confiança nas instituições não será recuperada "nem com silêncio, nem com corporativismo", mas com "transparência, com investigação séria e com responsabilização."
Questionado se Moraes deveria renunciar ao cargo, como tem sido defendido por parte do mundo político, o governador respondeu que a medida é uma questão de "foro íntimo".
Líder nas pesquisas para o governo de São Paulo, Tarcísio participou nesta quarta-feira, 2, de uma visita às obras de extensão da Linha 2-Verde do Metrô, na zona leste da capital paulista. Em entrevista coletiva à imprensa, o postulante à reeleição se disse favorável à retirada do sigilo das investigações envolvendo a produção do filme "Dark Horse", que fala sobre a trajetória de vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Tarcísio foi ministro. O caso envolve diretamente o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme.
"Eu sou favorável a toda a transparência, toda a quebra, toda a divulgação. Eu acho que a gente só vai retomar a confiança nas instituições a partir do momento que você tiver transparência, investigação profunda e responsabilização. Tudo que está oculto tem que ficar às claras", disse Tarcísio, que continuou: "É bom que tudo apareça, que todos os esclarecimentos sejam dados, que todas as investigações sejam feitas e que as responsabilizações aconteçam".
Impacto na eleição de Flávio Bolsonaro
Para o governador, as revelações sobre o pedido de dinheiro de Flávio a Vorcaro não devem prejudicar a candidatura presidencial do senador, desde que não surjam novos fatos.
"A questão da candidatura presidencial, a candidatura do Flávio, eu acho que também não atrapalha, a partir do momento em que não apareça nenhum fato novo, sobre o qual a gente também não tem governança, não tem controle", declarou.
Ao condicionar sua avaliação à ausência de novas informações, Tarcísio fez uma ressalva em relação ao caso, que Flávio tem classificado como "página virada". O governador disse considerar que os fatos conhecidos até agora foram suficientemente esclarecidos, mas defendeu que qualquer nova revelação seja investigada.
A Revista Piauí revelou, com base em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que Vorcaro fez, em setembro de 2025, um repasse de US$ 1,6 milhão ao fundo Havengate, responsável por administrar recursos destinados à produção de "Dark Horse". A movimentação ocorreu quatro meses depois da data que Flávio havia apontado como a do último pagamento do banqueiro ao projeto. Em entrevista à GloboNews em maio, o senador afirmou que a última parcela havia sido paga naquele mesmo mês.
Nesta terça-feira, 1º, Flávio disse que caberia à produtora explicar as novas informações sobre o repasse, e não a ele. O candidato do PL tem procurado encerrar os questionamentos sobre a relação entre Vorcaro e o filme ao afirmar que o episódio já foi esclarecido.
Tarcísio foi mencionado nos diálogos de Vorcaro com uma assessora que organizava um evento em Londres no ano passado. De acordo com o banqueiro, Alexandre de Moraes teria se incomodado com o destaque que seria dado ao governador. O evento foi cancelado e, nas mensagens, a assessora afirma que Tarcísio não havia sequer confirmado presença.
"Não tenho nem o que falar sobre isso. No final das contas, não houve convite oficial, eu também não iria, como não cheguei a confirmar", disse Tarcísio sobre as mensagens.




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