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Rômulo Sena

A elegância que não se veste

Rômulo Sena
Por Rômulo Sena
11/08/2026 16h27 — em Rômulo Sena

Vivemos tempos em que a aparência, muitas vezes, parece valer mais do que a essência. As pessoas se preocupam com roupas de grife, perfumes caros, marcas famosas e com a imagem que desejam transmitir. Mas será que isso é realmente elegância?

Não.

A verdadeira elegância não está no que vestimos, mas naquilo que carregamos dentro de nós. Ela não depende de dinheiro, de posição social ou de reconhecimento. Elegância é um comportamento, uma escolha diária, uma maneira de enxergar e tratar o próximo.

Elegância está na alma.

É saber conversar sem humilhar. É discordar sem ofender. É ter educação mesmo quando o outro não tem. É saber pedir desculpas quando erramos e reconhecer que ninguém é superior a ninguém.

Elegância também é saber silenciar. Em uma sociedade marcada por discussões, intolerância e palavras ditas sem pensar, saber quando falar e quando permanecer em silêncio é uma demonstração de maturidade.

E isso dá trabalho.

Cansa controlar a raiva. Cansa respirar fundo diante de uma provocação. Cansa escolher a paz quando seria mais fácil responder com agressividade. Cansa manter a gentileza em um mundo que, muitas vezes, parece recompensar a grosseria.

Mas é justamente aí que a verdadeira elegância se manifesta.

Uma pessoa elegante não precisa diminuir ninguém para se sentir grande. Não precisa gritar para provar que tem razão. Não precisa exibir riqueza para demonstrar valor. Seu caráter fala por ela.

Há pessoas simples que possuem uma grandeza extraordinária. E existem pessoas cercadas de luxo que, apesar de tudo o que possuem, ainda não aprenderam a respeitar o próximo.

A aparência pode chamar atenção, mas é a atitude que deixa marcas.

Precisamos recuperar a elegância das pequenas coisas: um bom dia, um obrigado, um pedido de desculpas, um gesto de solidariedade, uma palavra de conforto, o respeito aos mais velhos, a gentileza com desconhecidos e a capacidade de reconhecer o valor de quem pensa diferente.

Como ensina o livro de Provérbios:

“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.”

(Provérbios 25:11)

Que nossas palavras sejam elegantes. Que nossas atitudes sejam elegantes. Que nossa maneira de viver seja capaz de demonstrar aquilo que nenhuma roupa de grife consegue vestir: um coração verdadeiramente humano.

Porque, no final, a roupa envelhece, a marca perde o brilho e a aparência muda com o tempo.

Mas o caráter permanece.

A verdadeira elegância é aquela que ninguém consegue comprar, mas todos podem cultivar.

Elegância é quando a beleza da alma consegue aparecer através das atitudes.

Rômulo Sena

Rômulo Sena

Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil

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