Início Rômulo Sena E se o problema não for a queda, mas sim o medo de continuar?
Rômulo Sena

E se o problema não for a queda, mas sim o medo de continuar?

Rômulo Sena
Por Rômulo Sena
10/09/2026 11h27 — em Rômulo Sena

Vivemos em uma época em que muita gente quer chegar ao destino sem enfrentar a estrada. Queremos sucesso sem fracasso, vitória sem luta, respostas sem perguntas e equilíbrio sem movimento. Mas a vida não funciona assim.

Há uma frase atribuída a Albert Einstein que deveria provocar muito mais do que uma simples curtida nas redes sociais: “A vida é como andar de bicicleta; para manter o equilíbrio, você precisa continuar em movimento.”

E aqui está a provocação: quantas pessoas estão desequilibradas justamente porque pararam de viver?

Pararam de sonhar. Pararam de acreditar. Pararam de tentar. Pararam porque sofreram uma decepção, perderam alguém, fracassaram em um projeto ou simplesmente passaram a acreditar que já não vale a pena começar de novo.

Mas quem disse que a vida prometeu facilidade?

Viver é estar permanentemente diante do inesperado. Há dias em que pedalamos com vento a favor. Em outros, parece que tudo está contra nós. Existem subidas que exigem força, curvas que exigem atenção e quedas que deixam marcas.

A questão não é evitar todas as quedas.

A questão é o que fazemos depois que caímos.

Talvez tenhamos transformado o medo em uma espécie de prisão. Temos medo de errar, medo da opinião dos outros, medo de recomeçar, medo de envelhecer, medo de perder e até medo de ser felizes novamente.

Só que ninguém consegue avançar olhando permanentemente para trás.

Continuar em movimento não significa viver correndo. Às vezes, avançar é caminhar lentamente. É reconstruir a própria vida depois de uma perda. É estudar novamente. É começar um novo projeto. É pedir perdão. É perdoar. É reconhecer que determinada estrada não nos leva mais a lugar algum e ter coragem de mudar de direção.

Isso também é equilíbrio.

A vida exige adaptação. Quem não aceita mudanças sofre duas vezes: primeiro pela mudança que aconteceu e depois pela resistência em aceitá-la.

Precisamos entender que algumas portas se fecham porque outras precisam ser abertas. Algumas pessoas fazem parte de determinados capítulos, mas não necessariamente do livro inteiro. Alguns sonhos mudam de forma. E tudo bem.

O problema é quando transformamos uma fase difícil em uma sentença definitiva.

Não podemos permitir que uma derrota determine toda a nossa história.

A Bíblia nos lembra: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1).

Há tempo para cair e tempo para levantar. Tempo para chorar e tempo para sorrir. Tempo para ficar em silêncio e tempo para voltar a falar com o mundo.

Mas existe uma coisa que não podemos fazer por muito tempo: desistir de viver.

Talvez o maior desafio dos nossos dias seja justamente esse: continuar em movimento sem perder a essência; avançar sem esquecer de agradecer; buscar novos horizontes sem desprezar o caminho percorrido.

Não precisamos ter todas as respostas.

Precisamos ter coragem para continuar fazendo perguntas.

A bicicleta só permanece equilibrada enquanto avança. E talvez a vida seja exatamente assim.

Se você está passando por uma fase difícil, não confunda pausa com fim.

Respire. Reorganize-se. Recomece.

Mas volte a pedalar.

Porque, muitas vezes, o caminho que estamos procurando não aparece enquanto permanecemos parados.

A vida continua. E nós precisamos continuar com ela.

Rômulo Sena

Rômulo Sena

Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil

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