A viagem pela BR-319 é muito mais do que uma jornada por uma estrada. É uma viagem pela história, pela cultura e pela alma da Amazônia.
Saio de Manaus com um propósito: registrar, através de imagens, relatos e palavras, uma realidade que precisa ser conhecida pelo Brasil e pelo mundo.
A BR-319 representa um dos grandes desafios de integração da Amazônia. Ao longo do caminho, encontramos a floresta em sua grandiosidade, comunidades, rios, pontes, estradas e pessoas que vivem diariamente a realidade dessa região.
Cada quilômetro percorrido revela uma nova história.
E, quanto mais avanço em direção a Rondônia, mais compreendo que essa viagem não é apenas geográfica. É também uma viagem pelo tempo.
CHEGANDO A PORTO VELHO
Porto Velho surge diante dos meus olhos como uma cidade profundamente ligada ao Rio Madeira.
Aqui, a história da Amazônia se mistura com a história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um dos mais importantes símbolos da ocupação e da integração dessa região.
Ao observar os antigos trilhos e as locomotivas, imagino quantas histórias passaram por esses caminhos.
Homens e mulheres enfrentaram a floresta, o clima, as doenças e enormes dificuldades para construir uma ferrovia que se tornou parte fundamental da memória amazônica.
Os trilhos ficaram.
As locomotivas ficaram.
As histórias ficaram.
E Porto Velho cresceu ao redor dessa memória.
O RIO MADEIRA
O Rio Madeira é outro personagem fundamental dessa história.
Suas águas atravessam a paisagem e fazem parte da vida de milhares de pessoas. O rio transporta, alimenta, conecta comunidades e guarda histórias de gerações.
Diante de sua imensidão, percebo que compreender Porto Velho é também compreender a importância dos rios para a Amazônia.
Aqui, estrada e rio representam caminhos diferentes, mas possuem algo em comum: a capacidade de aproximar pessoas e regiões.
BR-319: UM CAMINHO QUE PRECISA SER DISCUTIDO
A BR-319 desperta debates, opiniões e preocupações. É preciso falar sobre integração, desenvolvimento, infraestrutura e, ao mesmo tempo, preservação ambiental.
Não existe futuro para a Amazônia sem responsabilidade.
O desenvolvimento precisa respeitar a floresta, os rios, os povos tradicionais e as comunidades que vivem nesse território.
Minha missão como jornalista e documentarista é registrar diferentes realidades e contribuir para que o debate seja feito com informação, responsabilidade e respeito.
Não quero apenas atravessar a BR-319.
Quero ouvir.
Quero observar.
Quero registrar.
Quero contar histórias.
DA ESTRADA AOS TRILHOS
Existe uma ligação simbólica entre a BR-319 e a antiga Madeira-Mamoré.
Em épocas diferentes, homens buscaram caminhos para conectar a Amazônia.
Ontem, os trilhos.
Hoje, as estradas.
A necessidade continua sendo a mesma: aproximar pessoas, cidades e regiões.
Mas cada época apresenta seus próprios desafios.
A história nos ensina que grandes projetos deixam marcas profundas. Por isso, quando pensamos no futuro da BR-319, precisamos olhar para o passado e aprender com ele.
UMA AMAZÔNIA QUE PRECISA SER CONHECIDA
Minha viagem é também uma homenagem às pessoas que vivem na Amazônia e ajudam a construir sua história todos os dias.
A Amazônia não pode ser vista apenas de longe.
É preciso percorrê-la, ouvi-la e conhecê-la.
É preciso conhecer seus rios, suas estradas, suas cidades e, principalmente, seu povo.
Porto Velho me recebe com sua história, com o Madeira e com os antigos trilhos que ainda parecem contar, em silêncio, os capítulos de uma grande aventura amazônica.
E sigo minha jornada com uma certeza:
A BR-319 é uma estrada.
A Madeira-Mamoré é memória.
O Rio Madeira é vida.
E a Amazônia é patrimônio de todos nós.
Continuarei registrando cada etapa desta viagem, porque acredito que contar a história da Amazônia é também ajudar a construir seu futuro.
BR-319 — DA AMAZÔNIA PARA O MUNDO
Rômulo Sena
Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil
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