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Canetas emagrecedoras: uso sem acompanhamento médico pode causar pancreatite e até perda de visão

Popularização de Ozempic, Mounjaro e similares preocupa autoridades de saúde; mercado de produtos falsificados também cresce

Canetas emagrecedoras: uso sem acompanhamento médico pode causar pancreatite e até perda de visão
Canetas injetáveis para emagrecimento exigem prescrição e acompanhamento médico. Foto: Pexels

A busca por emagrecimento rápido transformou as canetas injetáveis à base de semaglutida e tirzepatida, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, em fenômeno no Brasil. Uma pesquisa estima que um em cada três domicílios brasileiros tenha pelo menos um morador que usa ou já usou o produto. Criados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, os medicamentos passaram a ser usados também com finalidade estética, muitas vezes sem prescrição e sem qualquer monitoramento, o que acende o alerta de médicos e autoridades sanitárias.

Entre os riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para casos de pancreatite aguda, inclusive graves, com necrose do pâncreas. O sistema de notificações da agência registra 145 ocorrências de pancreatite associadas a esse tipo de medicamento entre 2020 e 2025, além de seis óbitos em investigação. Náuseas, vômitos, diarreia, desidratação, queda de pressão e alterações na glicemia estão entre os efeitos mais comuns, e o uso inadequado pode levar a complicações renais e internações. Mais recentemente, a Anvisa passou a investigar 13 casos suspeitos de neuropatia óptica isquêmica anterior, doença rara que pode provocar perda parcial ou total da visão. A agência ressalta que as notificações ainda estão sendo apuradas e não provam, por si só, a relação com o remédio.

O cenário se agrava com o avanço do mercado clandestino. Canetas falsificadas, contrabandeadas ou sem registro circulam na internet e em redes sociais, e o conteúdo pode ser diferente do que o rótulo promete, com doses incorretas, contaminação ou ausência do princípio ativo. Há relato de paciente internada com insuficiência respiratória e diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré após usar uma caneta paraguaia sem prescrição. A orientação das autoridades é comprar somente em farmácias regularizadas, exigir nota fiscal, desconfiar de preços muito baixos, de embalagens sem lacre ou com erros de grafia e procurar um médico antes de iniciar o tratamento. Em caso de dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou alterações na visão, o uso deve ser suspenso e o atendimento médico, procurado imediatamente.

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