NAIRÓBI, 12 Jun (Reuters) - Existem muitos “pontos cegos” no surto de Ebola na República Democrática do Congo, afirmou nesta sexta-feira um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS), sugerindo que a propagação da doença mortal pode ser muito mais ampla do que as estimativas oficiais.
O Congo informou na quinta-feira que a doença se espalhou para três novas zonas de saúde. O país registrou 676 casos confirmados e 136 mortes em um surto que também se espalhou para a vizinha Uganda.
“Ainda há muitos pontos cegos em algumas áreas de alto risco”, disse Olivier le Polain, epidemiologista da OMS em Beni, no leste do Congo.
“A vigilância realmente precisa ser reforçada nessas áreas.”
Outro grande desafio é a escassez de leitos que os médicos podem usar para isolar os pacientes, disse ele. Havia apenas 250 em todas as três províncias afetadas, acrescentou.
O surto envolve a rara cepa Bundibugyo do Ebola, para a qual não há tratamento ou vacina aprovados.
A doença passou despercebida por semanas e as equipes de primeiros socorros afirmam que estão tentando recuperar o atraso.
A OMS ainda não tem projeções sobre a magnitude da epidemia, disse Le Polain, depois que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos afirmou que ela poderia atingir o mesmo nível do surto de 2014-2016 na África Ocidental, que causou mais de 11.000 mortes.
(Reportagem de Emma Farge)




Aviso